São Paulo–SP. Em uma decisão considerada histórica para os direitos civis no Brasil, a juíza Flavia Poayres Miranda, da 18ª Vara Cível de São Paulo, condenou o político Levy Fidelix e seu partido, o PRTB, ao pagamento de uma indenização de R$ 1 milhão. A punição é resultado de declarações homofóbicas proferidas pelo então candidato à presidência durante um debate televisivo em 2014.

A ação civil pública foi movida pela Defensoria Pública de São Paulo logo após a repercussão das falas de Fidelix. De acordo com a sentença, o valor da indenização não terá fins punitivos meramente arrecadatórios, mas será revertido para o Conselho Nacional de Combate à Discriminação LGBT, visando financiar ações de promoção da igualdade e defesa de direitos.

O limite da liberdade de expressão

Durante o debate realizado pela TV Record em setembro de 2014, ao ser questionado sobre o casamento homoafetivo, Fidelix utilizou termos pejorativos, associou a homossexualidade à pedofilia e afirmou que o grupo precisava de atendimento psicológico “bem longe daqui”.

A justiça entendeu que tais declarações ultrapassaram o direito de opinião, configurando dano moral coletivo contra a população LGBT. Além da multa milionária, a sentença impõe:

Impacto e Relevância

A condenação de Fidelix estabelece um precedente importante no Brasil: o de que o espaço público da política e os meios de comunicação não podem ser utilizados para desumanizar minorias sob o manto da imunidade eleitoral.

“A decisão reforça que a liberdade de expressão não é um salvo-conduto para o ataque à honra e à existência de cidadãos brasileiros”, afirmam especialistas em direitos humanos.

Ainda cabe recurso à decisão, mas a publicação da sentença já é celebrada por movimentos sociais como uma vitória educativa e reparadora.

Milionários na mira: Receita identifica indícios de crimes fiscais em lista do SwissLeaks