Os portos paranaenses alcançaram um marco inédito no primeiro semestre de 2025, registrando a maior movimentação geral de cargas de sua história. O volume, que inclui exportações e importações, totalizou 34.252.008 toneladas, superando em 1,4% o recorde anterior do mesmo período em 2024 (33.780.236 toneladas).

Luiz Fernando Garcia, diretor-presidente da Portos do Paraná, ressaltou a relevância do feito. “Este é o melhor semestre da nossa história. Para manter essa fidelização de clientes, há um grande esforço em investimentos estruturais no equipamento logístico e também na capacitação das pessoas que trabalham aqui”, afirmou.

As exportações mantiveram um desempenho estável em relação a 2024, com um leve crescimento de 0,1%, passando de 21.261.128 toneladas para 21.275.295 toneladas. Gabriel Vieira, diretor de Operações da Portos do Paraná, considerou o índice positivo, mesmo diante de fatores políticos, econômicos e sanitários que impactaram o mercado global. “Os portos paranaenses trabalharam de forma consistente no primeiro semestre, não apresentando filas para atracação e uma boa produtividade. A projeção de volume para o segundo semestre é muito positiva”, destacou Vieira.

A soja foi o principal produto exportado, com 7.863.227 toneladas movimentadas. Os portos paranaenses também se consolidaram como líderes nacionais na exportação de farelo de soja, respondendo por 30% da movimentação do país, com 3.428.464 toneladas embarcadas. França, Países Baixos (Holanda) e Coreia do Sul foram os principais destinos. Em termos de valor, a commodity totalizou US$ 1,1 bilhão FOB (Free On Board).

Além disso, o terminal paranaense liderou o embarque de óleo de soja no semestre, com 528 mil toneladas, o que representa 64% do volume exportado pelo Brasil, conforme dados do Comex Stat, sistema oficial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Crescimento das importações e destaque para contêineres

As importações pelos portos do Paraná também registraram crescimento significativo, com um aumento de 3,7%. O volume passou de 12.519.108 toneladas no primeiro semestre de 2024 para 12.976.714 toneladas no mesmo período de 2025. Os fertilizantes lideraram as importações, com 5.251.240 toneladas desembarcadas, provenientes principalmente da China, Rússia e Canadá, e destinadas aos estados do Paraná, São Paulo, Mato Grosso e Goiás. Os portos paranaenses respondem por 27% das importações de fertilizantes no Brasil.

A movimentação de contêineres também apresentou um aumento, de 780.457 TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) em 2024 para 803.041 TEUs em 2025. O setor de carnes se destacou nas exportações via contêineres, com os portos paranaenses liderando o ranking nacional e respondendo por 34% da movimentação brasileira. China, Emirados Árabes Unidos, Filipinas e Japão foram os principais mercados. As carnes mais exportadas foram, respectivamente, frango, carne bovina e carne suína.

Investimentos em infraestrutura para o futuro

Para sustentar o crescimento operacional, a Portos do Paraná está realizando investimentos estratégicos em infraestrutura. Mais de R$ 600 milhões estão sendo aplicados na obra ferroviária do Moegão, que conectará 11 terminais por meio de galerias aéreas. A nova estrutura contará com três linhas férreas independentes, capazes de atender simultaneamente até 180 vagões carregados com grãos e farelos vegetais. A eliminação de manobras internas nos terminais resultará em uma redução significativa nas interrupções do tráfego urbano.

“Essa é uma obra que vai revolucionar o nosso recebimento ferroviário. Aumentaremos a capacidade atual de 550 vagões por dia para até 900 vagões diários, alcançando uma capacidade total de 24 milhões de toneladas por ano”, explicou Victor Kengo, diretor de Engenharia e Manutenção da Portos do Paraná.

Outro investimento crucial é a construção do Píer em T, que visa ampliar a produtividade do Porto de Paranaguá. Os quatro novos berços terão capacidade para movimentar até 8 mil toneladas por hora, um aumento significativo em relação à média atual de três mil toneladas/hora. A construção será financiada por R$ 1,2 bilhão de três áreas arrendadas na região portuária e por um repasse de R$ 1 bilhão do Governo do Paraná. Essa nova estrutura do Corredor de Exportação Leste (Corex) permitirá a movimentação de 32 mil toneladas/hora e a recepção de navios de maior porte.