Imagine estar em uma subestação de energia, prestes a realizar uma atividade crítica de manutenção. O cenário exige atenção total, domínio técnico e, sobretudo, segurança. Pensando nisso, uma engenheira da Itaipu Binacional criou uma solução tecnológica que vem transformando a forma como profissionais se preparam para essas operações: o Simulador de Risco Elétrico (SRE).
Desenvolvido por Thiciane Peres, da Divisão de Engenharia de Segurança do Trabalho, o SRE é um ambiente virtual de alta imersão, com realidade aumentada, sensores e sons, que simula cenários reais onde o risco elétrico é elevado. A inovação, que venceu um prêmio interno da empresa, agora é também um ativo oficialmente reconhecido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi).
A jornada do simulador começou com uma ideia apresentada em um concurso interno de inovação e se concretizou com o apoio de uma equipe multidisciplinar da Itaipu e do Itaipu Parquetec. O reconhecimento pelo Inpi marca o oitavo registro da usina e o primeiro após o lançamento do Programa de Propriedade Intelectual, em junho de 2024, uma iniciativa conjunta entre a Binacional, o Parquetec e o próprio instituto, voltada à valorização da cultura inventiva na empresa e em seu ecossistema.
Em 2024, a Itaipu também foi destaque entre as 20 empresas mais inovadoras do Brasil segundo a MIT Technology Review Brasil, reforçando sua reputação como ambiente fértil para ideias transformadoras.
Treinamento seguro e de última geração
O SRE permite que profissionais treinem a execução de procedimentos críticos, como a desenergização elétrica, em um ambiente controlado e realista. A simulação segue as diretrizes da Norma Regulamentadora 10 (NR-10), com foco em segurança e eficiência.
Entre 2022 e 2024, o projeto evoluiu: ganhou novos cenários, ferramentas e dispositivos. Desde setembro de 2024, passou a ser usado em treinamentos da usina. “É possível aprimorar o conhecimento técnico, o planejamento das atividades e o uso adequado de EPIs de forma segura”, destaca Thiciane.
O simulador é hoje referência dentro e fora da Itaipu, sendo apresentado em eventos técnicos e mencionado no livro “Energia em Transformação – A contribuição das mulheres para a transição energética”, do qual a engenheira é coautora.
Um ciclo completo de inovação
Além de Thiciane, participaram do desenvolvimento Emerson Felichaki, Camila Muriana, Marcos Trigueiros, Mário Augusto Caetanos dos Santos e Sérgio Oliveira, da Itaipu, e Lyncon Baez, do Itaipu Parquetec. Os nomes constam no registro oficial do Inpi.
“O sentimento é de dever cumprido. Essa conquista reflete o comprometimento e o profissionalismo da equipe”, diz Thiciane. Para ela, o registro simboliza o potencial transformador da inovação dentro da empresa. “Espero que inspire outros colegas a propor soluções que tragam impactos reais para a Itaipu e para a sociedade.” Para o diretor administrativo da Itaipu, Iggor Rocha, o SRE representa um exemplo ideal de como a inovação deve ocorrer: “Do surgimento da ideia à certificação, passando por prototipagem, testes e aplicação prática. É esse modelo que queremos incentivar e replicar.”
Nos últimos dois anos, a Itaipu tem apostado forte na inovação: criou o Prêmio Inowatt, reativou a Universidade Corporativa, investiu em eventos de propriedade intelectual e lançou ferramentas internas que estimulam a autonomia e o protagonismo dos(as) empregados(as). A expectativa é que o número de registros cresça ainda mais, consolidando o ambiente inovador que a empresa vem cultivando.