Curitiba – Em entrevista contundente, o senador e ex-governador Roberto Requião de Mello e Silva não poupou críticas à estratégia de comunicação adotada pelas gestões federais do Partido dos Trabalhadores. Com 74 anos e uma carreira marcada pelo embate com grupos de mídia, Requião revelou que o governo petista cometeu um erro estratégico ao negligenciar a comunicação pública em favor de investimentos bilionários na Rede Globo.
O senador relembrou um diálogo com José Dirceu, onde o então ministro teria afirmado que o governo não precisava de TVs públicas porque “tinha a Globo”. Para Requião, os R$ 6 bilhões gastos em publicidade com a emissora carioca foram baseados na falsa premissa de que o aporte financeiro compraria apoio político. “Se enganaram completamente”, pontuou o paranaense.
Experiência no Paraná e TV pública
Requião utilizou sua gestão no Paraná como exemplo de resistência. Durante seus mandatos, ele cortou as verbas publicitárias dos grandes grupos locais e investiu na TV Educativa do Paraná, chegando a fazer acordos internacionais com a Telesur para distribuir o sinal estatal. “Passei a falar na televisão do estado e me elegi três vezes governador. Tenho esses grupos como adversários políticos até hoje”, afirmou, reforçando que a mídia privada utiliza a verba pública como ferramenta de pressão e chantagem.
Lava Jato e a seletividade da imprensa
Sobre a Operação Lava Jato, o senador apontou um “conluio ideológico” entre as instituições e a imprensa. Segundo ele, a cobertura é seletiva: enquanto denúncias que atingem o PT ganham repercussão imediata, casos envolvendo figuras do PSDB, como o braço da investigação em Furnas, desaparecem do noticiário. “A mídia não quer a limpeza da política brasileira, mas sim derrubar adversários”, denunciou.
Requião também criticou o “espetáculo político” protagonizado por senadores da oposição em visita à Venezuela, afirmando que o objetivo era criar uma narrativa de autoritarismo para atacar governos de inclinação progressista na América do Sul, a mando do grande capital.
Críticas à economia e ao governo Richa
No campo econômico, o senador foi categórico ao classificar o ajuste fiscal como um “arrocho” que transforma o Brasil em uma cópia da crise grega. Ele criticou o ministro Joaquim Levy por focar no corte de investimentos e aumento de impostos, ignorando os lucros dos bancos e dos rentistas. “O problema deste país é o juro. Se quer fazer economia de verdade, corte os juros e a taxa Selic”, defendeu.
Ao avaliar o cenário local, Requião descreveu o governo de Beto Richa (PSDB) como “totalmente destruído” e cercado por escândalos de corrupção. Ele destacou que, embora o estado esteja “liquidado” e a população do Sul esteja ciente da crise, Richa ainda goza de uma blindagem por parte do noticiário nacional.
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