Durante dez dias, o município de Matinhos, no Litoral paranaense, sediou o IX Torneio Internacional de Xadrez, um evento que reuniu mais de 500 competidores de diferentes países e estados do Brasil. A competição consolidou o Paraná como uma vitrine continental para a modalidade, atraindo participantes com idades entre 8 e 80 anos, incluindo grandes mestres, jovens talentos e estudantes de redes de ensino público e privado, além de pessoas com deficiência física e visual. O torneio distribuiu R$ 90 mil em premiações.

A competição contou com a presença de representantes de países sul-americanos como Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. Da América Central, vieram atletas da Costa Rica e de Cuba; da América do Norte, dos Estados Unidos e México. O torneio também recebeu participantes da Armênia (Ásia) e da Sérvia (Europa). Essa diversidade de nacionalidades sublinhou o caráter internacional do evento, que colocou o Paraná no cenário dos grandes torneios mundiais de xadrez.

O torneio foi promovido pela Federação de Comércio, Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio) e o Serviço Social do Comércio (Sesc), com organização do Centro de Excelência de Xadrez (CEX). O apoio do Estado foi viabilizado pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) e o Viaje Paraná, órgão de promoção do turismo vinculado à Secretaria de Turismo (Setu). A iniciativa contou ainda com a parceria da Prefeitura de Matinhos, da Sanepar, da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da iniciativa privada.

Desenvolvimento e visibilidade da modalidade

Segundo o governador em exercício, Darci Piana, o evento se consolida a cada ano. “O xadrez é um esporte que desenvolve o raciocínio e aprimora a inteligência, razão pela qual o Sesc promove o circuito estadual de Xadrez Escolar e o Torneio Internacional em Caiobá, hoje um evento de prestígio no Brasil e na América Latina“, afirmou.

Segundo o organizador Jaime Sunyê Neto, o torneio fortalece a visibilidade do xadrez no Paraná e conecta iniciativas de educação, turismo e esporte com projeção internacional. “O Paraná tem uma tradição forte no ensino do xadrez, especialmente na educação básica. Um evento deste porte não apenas reforça essa cultura como atrai a atenção de jogadores e instituições de diversos países. Tivemos 204 jogadores de 14 nacionalidades na categoria clássico, o que amplia a repercussão e o prestígio do torneio mundo afora”, afirmou.

Conhecimento e impacto cognitivo

O xadrez é reconhecido como uma ferramenta de apoio ao desenvolvimento de habilidades cognitivas, raciocínio lógico e concentração. A programação do torneio no Paraná incluiu palestras interdisciplinares com especialistas em áreas como educação, literatura, tecnologia, carreiras, gênero e cinema, conectando o xadrez a diferentes campos do saber. Todo o conteúdo foi disponibilizado no canal do CEX no YouTube.

Com os debates, a proposta é avançar em pesquisas e desenvolvimento tecnológico para envolver as universidades paranaenses e possibilitar o aprimoramento de ferramentas, técnicas e equipamentos para ampliar o alcance e tornar o xadrez mais acessível.

O secretário da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldo Nelson Bona, destaca o vasto potencial do xadrez para uso em diferentes camadas da sociedade no Paraná. “Queremos aproximar cada vez mais a ciência e a tecnologia, organizando um arranjo de pesquisa que permita estudar os benefícios do xadrez na formação da pessoa, na saúde mental e em tudo o que se conecta com o ser humano e a prática do xadrez”, disse

Para o secretário estadual do Turismo, Leonaldo Paranhos, o torneio também contribui para movimentar a economia local ao integrar esporte, lazer e experiências turísticas. “O turismo é uma junção de atividades que acontece em um mesmo espaço. Esse torneio tem muitos atletas dividindo um espaço e conhecendo uma cidade nova, seus atrativos e produtos, como a gastronomia local“.

O evento registrou 629 inscrições nas cinco categorias: Clássico, Rápido, Blitz, Amador e Estudantil. Durante os dez dias de competição, foram realizadas mais de 5 mil partidas. O torneio foi válido para pontuação no sistema internacional que ranqueia os enxadristas, conhecido como rating FIDE. Com os resultados, dezenas de jogadores elevaram sua pontuação e se qualificaram para o rating internacional, conquistando títulos como Mestre FIDE (MF) e Mestre Internacional (MI).

Os resultados completos da competição estão disponíveis AQUI.