A união entre sociedade civil, poder público e setor empresarial em Foz do Iguaçu rendeu frutos concretos em 2025. A campanha Imposto de Renda Solidário, lançada em maio deste ano, promoveu um aumento expressivo na destinação do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) a projetos sociais locais: R$ 1,4 milhão foram arrecadados, representando um crescimento de 65% em relação a 2024. O número de doadores também saltou de 742 para 1.153 contribuintes, avanço de 55,4%.

A mobilização coletiva englobou formações, parcerias e visitas estratégicas a empresas, contadores e instituições comunitárias. Mais do que números, a campanha representa um modelo de governança colaborativa e de investimento direto no bem-estar da população. “É emocionante ver como uma decisão simples, individual, pode impactar tantas vidas”, afirma Gilmar de Oliveira, diretor-superintendente do Hospital Itamed, uma das instituições envolvidas na iniciativa.

Recursos ficam na cidade e beneficiam a população

O montante destinado por contribuintes físicos e jurídicos permanece em Foz do Iguaçu, sendo direcionado a fundos municipais como o Funcriança e o Fundo da Pessoa Idosa. Os recursos são rigorosamente fiscalizados e aplicados em projetos que promovem cidadania, inclusão e qualidade de vida.

A campanha integra o programa Destina IR e reúne parceiros como: Hospital Itamed, Prefeitura de Foz do Iguaçu, Conselho Regional de Contabilidade do Paraná (CRCPR/Foz), Receita Federal do Brasil, Conselhos Municipais da Criança e do Adolescente (CMDCA) e da Pessoa Idosa (CMDI), Associação Comercial e Empresarial (ACIFI) e Conselho de Desenvolvimento Econômico (Codefoz).

A destinação do IR pode ser feita durante todo o ano. Pessoas físicas podem direcionar até 6% do valor devido; empresas tributadas pelo lucro real, até 1%. O contador Elias João Dandolini, representante do CRCPR local, reforça a importância de manter o engajamento contínuo: “Os resultados nos motivam a seguir dialogando com a comunidade e convidando mais pessoas a se engajar na transformação social.”

Apesar do avanço, Foz do Iguaçu ainda deixa de captar cerca de R$ 20 milhões por ano que, em vez de serem aplicados localmente, são remetidos ao Tesouro Nacional. A campanha surgiu para reverter esse cenário e inspirou-se em modelos bem-sucedidos como o de Ponta Grossa (PR), liderado pelo professor Nelson Canabarro, que apoiou tecnicamente a versão iguaçuense da iniciativa.

Diante do sucesso da primeira edição, os parceiros já estão planejando as próximas etapas. A expectativa é consolidar o movimento como uma referência nacional de destinação cidadã e transparente dos tributos uma forma concreta de fazer a diferença sem custo adicional para o contribuinte. “Quando a causa é Foz do Iguaçu, há participação e compromisso. A cidade inteira sai ganhando”, conclui Rodiney Alamini, presidente do Conselho Superior da ACIFI.