A Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), campus Foz do Iguaçu, desenvolve o projeto de extensão Cidadania Digital, uma iniciativa que busca promover a inclusão digital de pessoas idosas por meio de oficinas práticas conduzidas por estudantes do curso de Ciência da Computação. As atividades fazem parte da curricularização da extensão universitária, integrando a formação acadêmica dos alunos à atuação social. As oficinas oferecem capacitação voltada à introdução à internet e seus principais recursos, com ênfase na navegação segura, no uso de serviços públicos digitais e na prevenção contra golpes e fake news. Os participantes também recebem apoio contínuo para tirar dúvidas e aprender a utilizar aplicativos, redes sociais, funcionalidades do celular e demais ferramentas online do cotidiano.

O projeto teve início em junho de 2023, com a elaboração dos materiais pedagógicos e definição do formato das oficinas. A primeira atividade prática ocorreu em 2024, no Centro Comunitário da Vila C, dentro do projeto “Amigos do Eco e do Refúgio em Ação”, ligado à Itaipu Parquetec e à Itaipu Binacional. Em 2025, as ações foram ampliadas, iniciando com a oficina no Centro de Convivência do Idoso, no bairro Morumbi, encerrada em maio. Novas edições estão sendo organizadas nos bairros Três Lagoas, Porto Meira e novamente na Vila C.

Formação cidadã e troca de saberes

Uma das principais novidades deste ano foi a parceria com a Universidade Aberta à Terceira Idade (UNATI), que fortaleceu ainda mais a iniciativa. Desde maio, os idosos da UNATI participam das oficinas dentro da própria universidade, com aulas conduzidas por mais de 20 alunos do curso em sua maioria calouros. O modelo pedagógico prioriza o atendimento personalizado, mantendo a proporção de um monitor para, no máximo, dois participantes.

A professora Eliane Nascimento Pereira, coordenadora do projeto e docente da Ciência da Computação, destaca os benefícios da proposta tanto para a comunidade quanto para os estudantes: “Calouros e veteranos atuam como protagonistas nessas oficinas. Eles assumem o papel de professores e monitores, desenvolvendo habilidades interpessoais como comunicação, empatia, adaptabilidade, criatividade e trabalho em equipe. Além disso, contribuímos para a superação da exclusão digital, fortalecendo a autonomia dos idosos e sua participação ativa na era digital.”

A Profa. Dra. Cecília Leão Oderich, subcoordenadora da UNATI, também celebra a parceria: “Estamos muito satisfeitos com a oferta das aulas. O aprendizado e a atualização sobre ferramentas tecnológicas favorecem o envelhecimento ativo e saudável, em sintonia com o mundo atual. Também é uma rica oportunidade de troca intergeracional de experiências.” Para os estudantes, o projeto é uma oportunidade de aplicar o conhecimento acadêmico na prática. O calouro Rafael Zorek Sostek conta que se sentiu motivado ao ouvir relatos de colegas: “Quando a gente ensina, compreende melhor o conteúdo e ainda devolve para a sociedade o que aprende na universidade. Está sendo uma experiência enriquecedora.”

Já do lado dos aprendizes, os benefícios também são evidentes. Waldir de Almeida, 65 anos, aluno da UNATI desde 2018, compartilha sua experiência: “Já fiz curso de informática, mas com celular é diferente. Ele muda rápido, surgem novos aplicativos. Essas oficinas ajudam bastante, principalmente com detalhes e atualizações que fazem toda a diferença no dia a dia.”