No próximo sábado, 14 de junho, o Dia Mundial do Doador de Sangue reforça a relevância de um gesto fundamental para a saúde pública: a doação de sangue. Muitas pessoas desconhecem que, mesmo em procedimentos complexos como os transplantes de órgãos, o sangue é um componente insubstituível. As doações são a única fonte disponível para transfusões, e uma única bolsa de 450 ml pode ajudar a salvar até quatro vidas.

Embora a prática da doação de sangue exista no Brasil, ainda há desafios na conscientização da população. Dados do Ministério da Saúde indicam que, em 2024, foram coletadas aproximadamente 3,3 milhões de bolsas de sangue pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o país, por meio de doações voluntárias.

Doação de sangue: essencial em diversas situações clínicas

O Dr. Marcelo Addas Carvalho, doutor em Clínica Médica, hematologista, hemoterapeuta e membro do Grupo Temático de Trabalho de Hemoterapia da SOBRASP, destaca a importância da doação de sangue em várias situações críticas. “Em casos de acidente ou emergências, as transfusões podem salvar vidas. Doenças como leucemia e linfoma e os seus tratamentos afetam a medula óssea, prejudicando a produção de células sanguíneas e a doação auxilia na reposição dessas células. Durante cirurgias de grande porte como as de transplantes de órgãos, o sangue doado é usado para substituir o que foi perdido, mantendo a estabilidade do paciente. E, logo após o transplante, o paciente pode precisar de transfusões para evitar complicações.”

O Brasil é um país de destaque mundial na área de transplantes, possuindo o maior sistema público de transplantes do planeta. De acordo com o relatório de doação do Ministério da Saúde para 2024, o país realizou mais de 30 mil procedimentos pelo SUS, um aumento de 18% em relação a 2022. Mais de 85% desses transplantes são realizados pelo sistema público. O número de doadores efetivos também cresceu, superando 4 mil pessoas que doaram órgãos. Os órgãos mais transplantados em 2024 foram rins (6.320), fígados (2.454), córneas (17.107) e medula óssea (3.743).

O Paraná teve uma participação significativa nesse avanço, registrando 2.529 transplantes ao longo de 2024. Entre os principais procedimentos realizados no estado estão os de tecidos e órgãos como córnea (1.248), rim (551), fígado (304) e medula óssea (377), conforme balanço divulgado pelo Ministério da Saúde.

Apesar desses avanços, persistem desafios importantes. Apenas 55% das famílias brasileiras autorizam a doação de órgãos, e a fila de espera por órgãos e tecidos conta com cerca de 78 mil pessoas aguardando uma chance de vida.

Como se tornar um doador de sangue

O processo para se tornar um doador de sangue é simples. É necessário apresentar um documento oficial com foto em um hemocentro ou serviço de doação de sangue em sua cidade. Os requisitos básicos incluem: estar bem de saúde, ter entre 16 e 69 anos, pesar mais de 50 kg, não estar em jejum e evitar alimentos gordurosos nas três horas anteriores à doação. Menores de 18 anos devem apresentar o consentimento do responsável legal.

Cada doação, que dura cerca de uma hora e não oferece riscos à saúde, pode ajudar a salvar até quatro vidas devido à separação do sangue em diferentes componentes. O intervalo recomendado entre as doações é de dois meses para homens e três meses para mulheres.