BRASÍLIA (DF) – O jornal britânico The Guardian incluiu Marina Silva, então ministra do Meio Ambiente do Brasil, em uma lista com as “50 pessoas que podem ajudar a salvar o planeta”. A seleção foi elaborada por um painel internacional de especialistas e buscou identificar homens e mulheres com influência política, econômica e social capaz de enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas.
Na apresentação do levantamento, o Guardian lançou a pergunta que orientou a escolha dos nomes: “Todos concordam que uma ação urgente é necessária para evitar uma mudança climática catastrófica, mas quem realmente tem a influência e as ideias para fazer isso acontecer?” A publicação destacou Marina Silva como uma das figuras centrais nesse debate global.
O perfil dedicado à ministra enfatizou sua trajetória pessoal e política, descrita pelo jornal como uma das “grandes histórias políticas” contemporâneas. Filha de um seringueiro da Amazônia, Marina Silva passou a infância extraindo látex da floresta e participou de protestos contra a destruição causada por madeireiros ilegais. O Guardian ressaltou que ela passou de analfabeta aos 16 anos à condição de senadora mais jovem do Brasil, consolidando-se como uma das principais lideranças ambientais do país.
A atuação de Marina Silva à frente do Ministério do Meio Ambiente também foi apontada como decisiva. Segundo o jornal, durante sua gestão o desmatamento na Amazônia foi reduzido em 75%, além da destinação de vastas áreas de floresta para comunidades indígenas. Esses resultados foram apresentados como exemplos concretos de políticas públicas capazes de produzir impactos ambientais significativos.
Apesar dos avanços, a publicação destacou a visão crítica da ministra sobre os desafios futuros. Marina Silva alertou que os riscos permanecem elevados e que a preservação da Amazônia depende de cooperação internacional. “A única maneira de evitar uma perda no longo prazo é com ajuda internacional”, afirmou. Em outra declaração citada pelo Guardian, ela reforçou: “Não queremos caridade, é uma questão da ética da solidariedade”.
Marina Silva foi a única representante da América Latina na lista, que reuniu personalidades de grande projeção internacional, como Al Gore, Angela Merkel, Craig Venter, Ken Livingstone e o ator Leonardo DiCaprio. A relevância de Marina na publicação foi reforçada pela escolha de sua fotografia para ilustrar a chamada principal do jornal, ao lado de DiCaprio e da ambientalista Wangari Maathai, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2004.
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