Em uma operação conjunta envolvendo a Polícia Federal do Brasil e agentes da Fuerza Especial de Lucha contra el Crimen (FELCC) da Bolívia, foi preso na última sexta-feira, dia 16 de maio, o brasileiro Marcos Roberto de Almeida, conhecido como ‘Tuta’. Ele é apontado como um dos principais articuladores de um esquema internacional de lavagem de dinheiro ligado a uma organização criminosa. Almeida estava foragido desde 2020 e foi detido em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, por uso de documento falso.
Almeida foi recentemente condenado no Brasil pelos crimes de associação criminosa e lavagem de capitais, com uma pena superior a 12 anos de reclusão. Ele também constava na Difusão Vermelha da Interpol – mecanismo que alerta autoridades policiais em todo o mundo sobre pessoas procuradas para extradição ou que representam alto risco, solicitando sua localização e prisão provisória. A presença na lista motivou a intensificação dos esforços internacionais para sua localização. Sua detenção pela Força Especial de Luta Contra o Crime Organizado na Bolívia (FELCC) ocorreu após a confirmação de sua verdadeira identidade.
Durante coletiva de imprensa realizada neste sábado, dia 17 de maio, em Brasília, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, detalhou o processo de identificação. Ele informou que o escritório da Interpol em Brasília – que integra a Diretoria de Cooperação Internacional da PF – foi acionado pelas autoridades bolivianas para verificar informações em suas bases de dados e confirmar a identidade da pessoa que utilizava o documento falso.
Rodrigues ressaltou a agilidade e a precisão na identificação, enfatizando a importância das ferramentas disponíveis. “Imediatamente foi feita a checagem e aqui eu ressalto a importância, uma vez mais, da nossa base de dados biométrica, que permitiu praticamente em tempo real retornar a informação ao nosso oficial de delegação lá em Santa Cruz de la Sierra e aos colegas da Polícia da Bolívia, informando tecnicamente quem era exatamente aquela pessoa que estava ali e, com isso, permitindo que a polícia boliviana fizesse a detenção dessa pessoa”, destacou o diretor-geral.
Confirmada a identidade e efetuada a captura, a Polícia Federal informou sobre o êxito da operação ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Em seguida, o ministro Ricardo Lewandowski comunicou o fato ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Este, por sua vez, prontamente acionou a missão diplomática brasileira na Bolívia para acompanhar o desenvolvimento do caso e prestar o suporte necessário às unidades da PF envolvidas na operação.
Atualmente, Marcos Roberto de Almeida permanece sob custódia das autoridades bolivianas. Ele aguarda os desdobramentos dos procedimentos legais, que podem resultar em sua expulsão do território boliviano ou em seu processo de extradição para o Brasil.
Combate ao Crime Organizado: Estratégia da PF
O diretor-geral Andrei Rodrigues aproveitou a coletiva para reforçar o compromisso da Polícia Federal no enfrentamento a organizações criminosas. “O crime organizado se combate com essas ações, com a prisão de lideranças, com o enfrentamento ao poder econômico dessas entidades criminosas e, fundamentalmente, com a integração e cooperação doméstica e internacional”, declarou Rodrigues.
No contexto da atuação permanente contra o crime organizado, Andrei Rodrigues citou outras operações relevantes realizadas pela Polícia Federal no mês de maio, nos primeiros 15 dias:
- Operação contra roubo de cargas em São Paulo;
- Ação das forças integradas na Bahia, com a prisão de líderes de facção criminosa da Bahia e de Minas Gerais;
- Operação Tripeiros;
- Operação Column;
- Ação contra facção criminosa no Tocantins;
- Operação Red Dots no Rio Grande do Norte;
- Operação Narco Vela, focada no tráfico de drogas com uso de veleiros para a Europa, que resultou no bloqueio de mais de um bilhão de reais.
O diretor-geral resumiu que estas ações demonstram a intensidade do combate.