Puerto Maldonado (Fronteira Peru/Brasil) – Em uma agenda marcada pela preocupação com os povos da floresta, o Papa Francisco se reúne nesta sexta-feira (19) com cerca de 100 representantes indígenas do Acre e de Rondônia. O encontro acontece em Puerto Maldonado, cidade peruana que faz fronteira com o município acreano de Assis Brasil, e representa um grito de socorro das comunidades amazônicas brasileiras.
A escolha do local pelo pontífice não foi por acaso. Segundo Dom Joaquim Pertinez, bispo da Diocese de Rio Branco, Francisco optou por uma cidade fora do eixo das grandes capitais peruanas justamente para ouvir os povos da Amazônia, cujas vulnerabilidades têm sido uma pauta constante de seu papado.
Alerta sobre suicídios e demarcação de terras
O ponto central da comitiva brasileira é a entrega de um documento que relata uma realidade invisível para muitos: o aumento alarmante no número de suicídios entre jovens de diversos povos indígenas da região.
De acordo com Rosenilda Nunes, integrante da Diocese de Rio Branco, o documento vincula o sofrimento emocional e a perda de vidas à paralisia na demarcação de territórios. A insegurança jurídica e a invasão de terras ancestrais são apontadas como causas diretas do desamparo que assola as aldeias.
“Eles estão na expectativa de entregar esse documento que relata o sofrimento deles, principalmente sobre a luta pelos territórios”, explica Rosenilda.
Operação de guerra na fronteira
Apesar de a Igreja Brasileira não estar formalmente na organização — que cabe à igreja peruana —, o impacto do evento mobilizou o aparato de segurança do Brasil. Devido ao grande fluxo de fiéis brasileiros que cruzam a fronteira para ver o Papa, um esquema especial foi montado:
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Aduana e PF: Funcionamento 24 horas para agilizar a imigração em Assis Brasil.
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PRF: Reforço estratégico nos trevos de Xapuri, Brasiléia e Assis Brasil para garantir a fluidez da Rodovia Interoceânica.
Programação do Pontífice
O Papa Francisco deve chegar a Puerto Maldonado às 10h. Antes do almoço exclusivo com os indígenas brasileiros e peruanos, o líder católico cumprirá agendas com o clero local e visitará lares de crianças em situação de vulnerabilidade.
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