O Papa Francisco faleceu na manhã desta segunda-feira (21), aos 87 anos, em sua residência na Casa Santa Marta, no Vaticano. O anúncio oficial foi feito pelo cardeal Kevin Joseph Farrell, Camerlengo da Câmara Apostólica, diretamente da Capela da Casa Santa Marta. “Às 7h35 desta manhã (2h35 no Brasil), o Bispo de Roma, Francisco, retornou à casa do Pai. Toda a sua vida foi dedicada ao serviço do Senhor e de Sua Igreja”, declarou o cardeal, conforme nota divulgada pelo site VaticanNews.
Em sua declaração, o cardeal Farrell expressou a gratidão da Igreja pelo pontificado de Francisco. “Ele nos ensinou a viver os valores do Evangelho com fidelidade, coragem e amor universal, especialmente em favor dos mais pobres e marginalizados. Com imensa gratidão por seu exemplo como verdadeiro discípulo do Senhor Jesus, recomendamos a alma do Papa Francisco ao infinito amor misericordioso do Deus Trino”, afirmou.
As últimas palavras públicas do Papa Francisco foram proferidas na sacada da Basílica de São Pedro, durante a celebração do Domingo de Páscoa, no dia anterior (20). Na ocasião, ele transmitiu a tradicional mensagem “Urbi et Orbi”, desejando uma “feliz Páscoa” aos fiéis presentes e aos que acompanhavam a cerimônia. Em seguida, Mons. Diego Ravelli leu seu discurso, que continha um apelo ao fim dos conflitos, com ênfase na situação da Faixa de Gaza.
Estado de Saúde Delicado:
A morte de Francisco ocorre em um período em que o pontífice se recuperava de uma pneumonia bilateral, condição que o manteve hospitalizado por cerca de 40 dias. Ele havia recebido alta há um mês e seguia sob cuidados médicos.
Sua primeira internação ocorreu no início de fevereiro. Nos dias seguintes, o Papa começou a apresentar dificuldades para falar durante audiências religiosas, admitindo publicamente seus problemas respiratórios e, em algumas ocasiões, solicitando que um auxiliar lesse seus discursos.
Em 14 de fevereiro, Francisco foi novamente hospitalizado no hospital Agostino Gemelli para exames e tratamento de bronquite. Mesmo durante a internação, manteve algumas atividades religiosas. No domingo (16), pediu desculpas por não comparecer à oração semanal com os fiéis na Praça de São Pedro.
No dia seguinte, o Vaticano informou que o Papa estava com uma infecção polimicrobiana, um quadro complexo causado por múltiplos microrganismos. No dia 18 de fevereiro, um novo boletim médico revelou o diagnóstico de pneumonia bilateral, uma infecção pulmonar mais grave que pode comprometer a respiração e a oxigenação do organismo.
Até o momento da publicação desta reportagem, o Vaticano não divulgou detalhes sobre o funeral do Papa Francisco. A Igreja Católica deve se reunir nas próximas semanas para o conclave que elegerá o novo pontífice.
“Os pobres são pessoas, têm rosto, uma história, coração e alma. São irmãos e irmãs com os seus valores e defeitos, como todos, e é importante estabelecer uma relação pessoal com cada um deles.” –Papa Francisco, 13 de junho de 2023, Dia Mundial dos Pobres
O Legado de Francisco:
Nascido Jorge Mario Bergoglio em Buenos Aires, Argentina, em 1936, Francisco trilhou uma carreira dedicada ao catolicismo, apesar de ter sido eleito Papa em 2013 em um momento delicado para a Igreja. Formado em Ciências Químicas e professor de Literatura, ele optou pelos estudos eclesiásticos, sendo ordenado sacerdote em 1969.
Seu perfil jovial e descontraído o tornou popular entre os cardeais, culminando em sua eleição como um nome de consenso em meio a desafios como a queda na popularidade da Igreja e os escândalos de pedofilia.
Durante seu papado, Francisco abordou temas contemporâneos sensíveis, como os direitos LGBTQIA+ e a questão feminina. Foi elogiado por avanços como a permissão para bênçãos a casais do mesmo sexo, a nomeação de mulheres para cargos de maior destaque no Vaticano e a concessão do direito de voto feminino no Sínodo dos Bispos. No entanto, também enfrentou críticas por não avançar na ordenação de mulheres como sacerdotes, uma demanda histórica de parte dos fiéis católicos.
Francisco também se destacou por seus discursos políticos, criticando líderes de países em conflito e abordando a crise dos refugiados. Em um momento marcante da pandemia de Covid-19, rezou sozinho na Praça de São Pedro vazia. O combate à pobreza foi uma prioridade constante em seu pontificado, refletido na escolha de seu nome em homenagem a São Francisco de Assis e em seu lema “Miserando atque eligendo”.
O Papa implementou reformas na estrutura da Cúria Romana, com foco na área econômica e financeira. Embora não tenha promovido mudanças doutrinárias significativas, Francisco deixa um legado de diálogo, abertura a questões sociais e preocupação com os mais vulneráveis.