Marilyn foi brutalmente espancada e enterrada viva em sua própria casa, sendo removida após o espancamento para que o buraco pudesse ser cavado e ela fosse enterrada. A complexidade do crime sugere a participação de mais de uma pessoa, mas o tribunal não conseguiu entender essa lógica nem identificar outros perpetradores.

María Elena “Marilyn” Bárbaro foi assassinada na noite de 17 de abril de 2004, em sua residência na rua México com a avenida Itália, a poucos quadras do centro de Oberá.

Com o passar dos anos, o caso se tornou emblemático na província de Misiones, devido às circunstâncias que envolveram a investigação policial, o questionável papel da Justiça e sérias suspeitas de ingerência do poder político. Juana “Ticha” Bárbara, irmã da vítima, denunciou essas questões diversas vezes antes de também falecer.

Apesar da paralisia que a afligia e de sua evidente indefensão, os homicidas não tiveram piedade. A autópsia confirmou que ela foi arrastada e enterrada ainda viva, após um rastro de sangue que atravessou a sala e desceu pelo porão.

Desde o início, foram implicados os filhos de uma deputada provincial e de um comerciante conhecido, que acabaram absolvidos, assim como outros dois suspeitos.

Oscar Schnimg foi o único dos cinco suspeitos que reconheceu ter estado na cena do crime. Ele está acusado de homicídio simples e, segundo fontes judiciais, será submetido a julgamento oral por um tribunal civil, uma vez que todos os magistrados do foro penal local se declararam impedidos. Caso o debate continue sendo adiado, poderá ocorrer a prescrição da causa.

Os cinco acusados

Desde o início, Schnimg nomeou seus quatro supostos cúmplices: Matías Ortiz, filho da ex-deputada Marlene Carvallo; Gabriel Piotroski, Patricio Do Santos e Daniel “Chaparro” Núñez, que foram detidos poucas horas depois.

As evidências eram tão contundentes que o então chefe da Unidade Regional II de Polícia, comissário Odilio Klipauka, afirmou à mídia que o caso estava virtualmente resolvido. No entanto, após inúmeros recursos e apelações, a causa nunca chegou a julgamento, e o crime permanece impune, com todos os suspeitos já em liberdade.

O advogado Ramón Enriquez, representante da família, expressou sua frustração: “Falando com Ticha, nos dava muita impotência o fato de se chegar com um só imputado ao julgamento, Rubén Schnimg. Mas pelo menos que ocorra o julgamento e que se diga algo sobre este terrível crime, que não fique impune.”

Estima-se que o móvel do homicídio tenha sido o roubo, já que a vítima possuía dinheiro da venda de pinheiros. Contudo, os assassinos não conseguiram encontrar o botim.

Conforme consta no expediente, no sábado, 17 de abril de 2004, Juana e outra de suas irmãs visitaram Marilyn em sua casa e se retiraram às 19h45. Minutos depois, os homicidas invadiram.

Devido à paralisia infantil, a vítima era inválida e não pôde se defender do ataque dos agressores que a assassinaram.

Todos livres

Em janeiro de 2011, Rubén Schnimg, o único detido pelo assassinato de Marilyn, foi libertado após quase sete anos na Unidade Penal II. Ele foi beneficiado com a liberdade sob fiança. Antes, em outubro de 2008, a juíza Kunzmann de Gauchat havia ordenado a absolvição e a libertação de Ortiz, Piotroski, Do Santos e Núñez.

Piotroski e Ortiz estiveram reclusos em uma clínica privada, enquanto os outros três permaneceram na penitenciária local.

Durante todos esses anos, a família da vítima esgotou os recursos e instâncias judiciais, a ponto de recorrer sem sucesso à Corte Suprema de Justiça da Nação. Em 2011, o promotor Elías Bys solicitou a suspensão da absolvição dos acusados, mas essa questão ficou estagnada no processo judicial.

O assassinato impune de “Marilyn” Bárbaro é um dos feminicídios mais atrozes da história de Misiones. Sua memória expõe a fragilidade do poder feudal provincial e a conivência de seus aliados e seguidores, sendo essencial para entender a política missionária do século XXI.