Organizado por movimentos sociais, ONGs e a sociedade civil, o Fórum da Tríplice Fronteira se estabeleceu como um espaço de escuta e debate aberto e descentralizado. O objetivo é promover a formulação de propostas alternativas ao modelo econômico e social global, além de fomentar a troca de experiências entre movimentos sociais e a articulação entre indivíduos, organizações e instituições que se opõem ao neoliberalismo.

Em espaços distintos, integrantes de diversas organizações sociais, sindicatos e movimentos de classe debateram a situação da fronteira e de outros países do Cone Sul. O primeiro dia do evento foi dedicado à coleta de denúncias sobre violência de gênero, precarização do trabalho, diversas formas de violência contra crianças, adolescentes e jovens, e assassinatos de camponeses e indígenas. Os participantes também abordaram a questão da falta de direitos básicos e a retirada de direitos anteriormente conquistados, atribuindo essa situação a governos neoliberais e ao capitalismo. A pauta incluiu discussões sobre grandes usinas como Itaipu e Yacyretá, com foco na falta de reparação a trabalhadores e indígenas.

Representantes de diversas organizações sociais discutiram a situação da fronteira e de outros países do Cone Sul. Amilton Farias/Fórum Social da Tríplice Fronteira.

Denúncias mostraram um cenário preocupante de violência de gênero na América Latina e no Caribe. Em 2022, ao menos 4.050 mulheres foram vítimas de femicídio ou feminicídio em 26 países e territórios da região, conforme informações do Observatório da Igualdade de Gênero da América Latina e do Caribe (OIG) da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL). Essa estatística alarmante indica a morte violenta de uma mulher a cada duas horas na região por razões de gênero.

Mulheres denunciaram os diversos tipos de violência contra a mulher, o machismo estrutural e o racismo. Amilton Farias / Fórum Social da Tríplice Fronteira.

Organizações sociais presentes no fórum condenaram projetos de leis antiterroristas propostos por governos neoliberais, argumentando que tais leis têm sido utilizadas para restringir o direito à greve e à livre manifestação contra a retirada de direitos e a ausência de políticas públicas, em vez de combater o terrorismo genuíno.

Adolescentes denunciaram a violência doméstica, escolar e nas ruas contra crianças na América Latina. Dados da UNICEF mostram que a violência contra crianças e adolescentes aumenta a cada ano, e que quase dois em cada três meninos e meninas de 1 a 14 anos sofrem disciplina violenta em seus lares. Além da agressão física e psicológica na primeira infância, o abuso sexual e o homicídio afetam milhões de crianças e adolescentes na região, com uma taxa regional de homicídios de 12,6 a cada 100 mil, quatro vezes superior à média global. O homicídio figura como a principal causa de morte entre meninos adolescentes de 10 a 19 anos.

Jovens e adolescentes debatem direitos e denunciam diversos tipos de violência infantojuvenil. Foto: Amilton Farias / Fórum Social da Tríplice Fronteira.

Estima-se que 8,2 milhões de crianças entre 5 e 17 anos trabalham na América Latina e no Caribe. A maioria dessas crianças são meninos adolescentes, e 33% são meninas. O trabalho infantil está presente tanto em áreas rurais quanto urbanas, com 48,7% das crianças trabalhando no setor agrícola. Cerca de 50% das crianças envolvidas em trabalho infantil o fazem em atividades familiares, e mais de 50% realizam trabalhos considerados perigosos, comprometendo sua saúde, educação e bem-estar.

A combinação de perda de empregos, aumento da pobreza e fechamento de escolas é uma tempestade perfeita para a proliferação do trabalho infantil. Abandonar a escola e entrar no mercado de trabalho prematuramente reduz as chances de conseguir empregos melhores no futuro, perpetuando a armadilha da pobreza.

O fórum, que termina neste sábado, 12, conta com o apoio de diversas organizações da Tríplice Fronteira, entre elas, no Brasil: NOSOTROS, ANDES Regional Sul, SESUNILA e APP Sindicato de Foz do Iguaçu.