As Forças de Defesa de Israel (FDI) emitiram ordens de evacuação para a região sul da cidade de Rafah e localidades adjacentes. O alerta, divulgado neste domingo (6), precede uma esperada intensificação das operações militares israelenses na área, com o objetivo declarado de combater o que as FDI denominam “terroristas”.
Moradores deslocados foram instruídos a se dirigir aos campos de refugiados de Al Mawasi, área designada como “humanitária” pelas autoridades israelenses, apesar de relatos anteriores de incidentes na região. A medida ocorre em um contexto de crescente tensão desde a ruptura da trégua em 18 de março. Estima-se que, desde então, mais de mil palestinos perderam a vida em decorrência dos bombardeios.
A situação humanitária na Faixa de Gaza permanece crítica, com um grande número de civis enfrentando múltiplos deslocamentos e dificuldades no acesso a necessidades básicas. Sabri Abu Lainin, residente de Gaza que relatou ter sido deslocado dez vezes desde o início do conflito em outubro de 2023, declarou à agência EFE: “Não nos resta mais nada, nem para consumir, nem dinheiro. Não podemos garantir as necessidades primárias”.
Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que aproximadamente 90% da população de Gaza foi forçada a deixar suas casas em 2024, muitos deles em múltiplas ocasiões. Os bombardeios também têm afetado significativamente a população infantil. Segundo a UNICEF, nos últimos dez dias, 322 crianças palestinas morreram e outras 609 ficaram feridas em decorrência dos ataques israelenses. A maioria dessas crianças estava deslocada, buscando abrigo em tendas improvisadas ou residências danificadas.
Esses números elevam o total de crianças mortas para 15 mil, com 34 mil feridos e um milhão de deslocados desde o início da ofensiva militar. A situação tem gerado apelos por maior mobilização internacional em defesa da população palestina.