A condenação de Marine Le Pen poderá impactar diretamente as eleições presidenciais de 2027, nas quais ela é considerada a grande favorita. O Ministério Público solicitou uma pena de cinco anos de inelegibilidade.

Nesta segunda-feira, o Tribunal de Paris condenou Marine Le Pen e oito ex-eurodeputados no caso dos falsos assistentes no Parlamento Europeu. A pena imposta a Le Pen inclui a proibição de ocupar cargos públicos, que deve ser aplicada imediatamente, mesmo que ela recorra da decisão. Essa condenação pode afastá-la da disputa nas próximas eleições presidenciais, previstas para 2027.

A sentença ainda estava sendo lida quando Le Pen decidiu deixar o tribunal. A líder da extrema direita francesa, que já se lançou como candidata presidencial três vezes, negou qualquer irregularidade. O Ministério Público havia solicitado não apenas a inelegibilidade, mas também uma pena de prisão.

Em novembro de 2024, os procuradores pediram ao tribunal uma pena de cinco anos de prisão (com três de pena suspensa), multa de 300 mil euros e cinco anos de inelegibilidade. A ex-eurodeputada é acusada de desvio de mais de três milhões de euros e cumplicidade em um esquema de falsos assistentes parlamentares que beneficiava a então Frente Nacional (hoje Reunião Nacional), onde os funcionários trabalhavam apenas para o partido na França. O processo envolve 24 réus no total.

Le Pen, que atuou como eurodeputada de 2009 a 2017, sempre negou qualquer crime, acusando os procuradores de tentarem causar sua “morte política”. Atual líder do grupo parlamentar da Reunião Nacional na Assembleia Francesa, sua inelegibilidade não afetará seu cargo atual de deputada. Le Pen lidera as pesquisas para as próximas eleições presidenciais, onde poderia alcançar de 34% a 37% das intenções de voto, dependendo de seus adversários.

O partido de extrema-direita, fundado por seu pai, Jean-Marie Le Pen (falecido este ano), passou por uma transformação significativa sob sua liderança. Além da mudança de nome em 2018, Le Pen adotou um novo discurso para distanciar o partido de seu passado antissemita e racista, buscando ampliar sua base de apoio.

Embora Le Pen tenha deixado a liderança do partido em 2022, após mais de 11 anos, continua sendo a figura central. Se ela não puder se candidatar, não há uma alternativa clara. Seu sucessor, Jordan Bardella, de 29 anos, é frequentemente mencionado como um possível primeiro-ministro, caso Le Pen seja eleita, mas carece do carisma necessário para uma candidatura à presidência.