A situação em Gaza se agrava com a confirmação da execução de 15 profissionais de saúde, incluindo médicos e enfermeiros, em Rafah, ao sul da região. O Crescente Vermelho Palestino relata que os corpos de 14 funcionários foram encontrados, enquanto o 15º permanece desaparecido.
A denúncia afirma que oito médicos e seis enfermeiros foram mortos com tiros na cabeça. A execução ocorreu após tropas israelenses cercarem ambulâncias que prestavam socorro a feridos em Rafah, logo após a área ser alvo de bombardeios. No dia 22 de março, o Crescente Vermelho perdeu contato com sua equipe cercada e o acesso à área foi bloqueado, impossibilitando a entrada de outras ambulâncias.
Desde o rompimento do contato, a organização de socorro médico responsabilizou Israel pelos danos ao seu pessoal e fez apelos a entidades internacionais para garantir o acesso das equipes a Tel Sultan. No entanto, esses esforços foram em vão, pois as organizações humanitárias não conseguiram entrar na área cercada.
Somente em 27 de março, um grupo coordenado pela Cruz Vermelha conseguiu acessar o local, onde foi constatado que as tropas israelenses haviam executado os profissionais de saúde e enterrado seus corpos próximo a tendas militares. A Cruz Vermelha também verificou que todas as ambulâncias do Crescente Vermelho e da Defesa Civil, cercadas no dia 22, estavam destruídas.
As vítimas identificadas do Crescente Vermelho incluem Ezz Al-Din Shaath, Mustafa Khafaja, Saleh Ma’mar, Mohammed Bahloul, Ashraf Abu Labda, Mohammed Al-Hayla, Rifat Radwan, Asaad Al-Nasasra e Raed Al-Sharif. Já as vítimas da Defesa Civil são Fouad Al-Jamal, Youssef Khalifa, Anwar Al-Attar, Zuhair Al-Farra, Sameer Al-Bahabsa e Ibrahim Al-Maghari.
A descoberta dos assassinatos ocorreu nove dias após Israel romper o cessar-fogo em Gaza, com os primeiros ataques iniciados na noite de 18 de março. Naquela noite, 400 palestinos foram mortos, incluindo 200 crianças, e 1.900 ficaram feridos. Desde então, a violência se intensificou e a troca de prisioneiros, que ocorria desde janeiro, foi suspensa.
De acordo com o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, mais de 400 profissionais de saúde, incluindo médicos, enfermeiros e motoristas de ambulâncias, foram mortos desde 7 de outubro de 2023. Os dados incluem 289 integrantes de equipes da ONU, 34 do Crescente Vermelho Palestino e 76 de outras organizações humanitárias.