O sindicato estatal ATE – Associação dos Trabalhadores do Estado, organizou um ato em frente ao Ministério da Desregulação, sob a liderança de Sturzenegger. Durante o evento, foi convocado um encontro nacional de servidores públicos e anunciada uma greve de 36 horas que ocorrerá em conjunto com a greve geral das centrais sindicais nos dias 9 e 10 de abril. “Não podemos confiar que as lideranças garantam nossos direitos, muito menos a CGT, que acaba de despertar de sua eterna soneca”, afirmaram os representantes do sindicato.
No contexto da greve nacional dos servidores, a ATE se mobilizou da Secretaria do Trabalho para o Ministério da Desregulação e Transformação do Estado, diante da ameaça de demissões em massa na administração pública. Anteriormente, foi realizada uma ação na Secretaria do Trabalho, localizada na Alem, 600, em protesto contra as demissões que seriam anunciadas nas próximas horas. Durante a mobilização, houve relatos de provocações por parte da Polícia Federal e da Polícia da Cidade, que atuaram de maneira hostil.
Com o término de 50 mil contratos no dia 31 de março, o sindicato exige a renovação automática e anual de todos os contratos, além da efetivação dos trabalhadores. Também denuncia a precarização enfrentada por milhares de trabalhadores no país. Outro ponto crítico é o congelamento salarial, com aumentos que ficaram 44,4% abaixo da inflação, uma situação que deve persistir em 2025, conforme as negociações em andamento.
Aumento de salários para os que demitem
Em meio ao cenário de demissões e cortes salariais, o governo publicou uma decisão administrativa que permite a funcionarios receberem unidades retributivas adicionais com base na economia orçamentária gerada pela redução do quadro de pessoal. “Em outras palavras, aumentam os salários dos funcionários que mais demitem”, criticou um representante do sindicato, ressaltando que essa prática é reprovável e reflete uma política que prioriza os interesses empresariais em detrimento dos direitos trabalhistas.
Mobilização e ações futuras
Durante o ato, o sindicato decidiu, por votação, que a nova greve de 36 horas ocorrerá a partir do meio-dia de quarta-feira, 9 de abril, até a meia-noite de quinta-feira, 10. Neste dia, as três centrais sindicais também convocaram paralisações. Aguiar, secretário-geral da ATE, aproveitou para criticar Andrés Rodríguez, secretário-geral da UPCN: “O governo cortou salários com a cumplicidade de outro sindicato. Basta de apoiar empresários disfarçados de sindicalistas no Estado.”
A ATE também convocou um encontro nacional de servidores, que ainda não possui data ou local definidos, e chamou todos a participar do congresso nacional da CTA Autônoma, programado para o próximo 28 de abril.
Unidade e mobilização contra o governo
A Alternativa Estatal defende a necessidade de fomentar assembleias em todos os locais de trabalho, a fim de votar as reivindicações e o programa da greve. “Os dias que restam até a data não podem ser utilizados para que direções sindicais negociem seus interesses em detrimento da classe trabalhadora”, alertam.
É essencial organizar uma grande mobilização contra o governo no dia 9, logo pela manhã, com ações que destaquem as reivindicações. A histórica marcha unificada de 24 de março e as ações convocadas anteriormente pelos aposentados no Congresso têm fortalecido a resistência a um governo que enfrenta crises. “É hora de continuar pressionando com ações unitárias, massivas e nas ruas”, concluem os líderes sindicais.
Paralelamente, é necessário debater que tipo de país desejamos construir para o futuro. Acreditamos que é fundamental levantar uma alternativa política onde os trabalhadores e a esquerda tenham voz e poder. As lutas que travarmos, unindo forças e determinação, serão decisivas para alcançar esse objetivo.