A Casa Branca anunciou nesta terça-feira (25) que os governos da Ucrânia e da Rússia concordaram com um cessar-fogo parcial no Mar Negro, além de discutir detalhes para interrupção dos ataques às instalações de energia. Este é considerado um passo significativo em direção a um cessar-fogo total que o governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, vinha promovendo, embora ainda esteja longe de ser uma meta alcançada.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, confirmou que a trégua entrou em vigor imediatamente e manifestou a intenção de solicitar mais armas dos Estados Unidos, além de novas sanções contra a Rússia caso Moscou não cumpra os acordos. “Se os russos violarem isso, então eu tenho uma questão direta para o presidente Trump. Se eles violarem, aqui estão as evidências — pedimos sanções, pedimos armas, etc.”, declarou Zelensky em coletiva de imprensa em Kiev.
Os acordos foram firmados após três dias de negociações em Riad, na Arábia Saudita, onde delegações da Ucrânia e da Rússia se reuniram separadamente com mediadores dos Estados Unidos. Rustem Umerov, ministro da Defesa da Ucrânia, confirmou os acordos por meio de uma mensagem nas redes sociais.
O Kremlin também confirmou que concordou em garantir a “navegação segura” no Mar Negro. Além disso, os governos russo e americano concordaram em desenvolver medidas para interromper os ataques a instalações de energia de ambos os países por um período de 30 dias, iniciado em 18 de março.
A Casa Branca emitiu duas declarações distintas, informando que havia fechado acordos separados com a Ucrânia e a Rússia sobre ataques marítimos e de energia. As declarações destacaram que Washington, Kiev e Moscou saudaram a participação de outros países no “apoio à implementação dos acordos marítimos e de energia”.
Ainda não está claro como e quando o cessar-fogo no Mar Negro e o acordo sobre energia serão implementados. Umerov, que liderou a delegação ucraniana em Riad, afirmou que “consultas técnicas adicionais” precisam ocorrer com urgência para garantir a implementação, monitoramento e controle dos acordos.
Tanto a Rússia quanto a Ucrânia dependem do Mar Negro para a exportação de commodities. Em meados de 2022, um acordo intermediado permitiu que a Ucrânia transportasse grãos pelo mar, mas a Rússia se retirou do acordo um ano depois, alegando que as sanções ocidentais restringiam severamente sua capacidade de exportar produtos agrícolas.
Posteriormente, a Rússia ameaçou embarcações comerciais que transitavam para e da Ucrânia, visando estrangular as exportações marítimas de Kiev. Em resposta, as Forças Armadas da Ucrânia iniciaram uma campanha que expulsou a marinha russa das partes ocidentais do Mar Negro, destruindo muitos de seus navios de guerra e atingindo seu quartel-general na Crimeia.
Umerov afirmou que qualquer movimentação de embarcações militares russas fora da parte oriental do Mar Negro constituirá uma violação do espírito do acordo, ressaltando que a Ucrânia terá “pleno direito de exercer o direito de autodefesa”.
As declarações da Casa Branca afirmaram que tanto a Rússia quanto a Ucrânia concordaram em “eliminar o uso da força no Mar Negro”, mas não ficou claro se isso levaria à interrupção dos ataques à infraestrutura portuária, um tópico que, segundo os ucranianos, foi discutido nas negociações.