A captura, em plena sessão da mesa de diálogo, do comandante negociador Giovanny Andrés Rojas, conhecido como “Aranha”, líder máximo do grupo ilegal Comandos da Fronteira, que por sua vez integra a Coordenadora Guerrilheira do Pacífico, com quem o Governo Nacional avançava o terceiro ciclo de diálogos, gera incerteza jurídica e aumenta a desconfiança dos demais grupos e atores que estão em diálogo ou que estão apenas começando.

O relatório da Defensoria Pública da Colômbia, alertando sobre os 14 territórios críticos em matéria humanitária, afirma: “A situação humanitária que estamos presenciando é alarmante. O conflito armado continua afetando gravemente a população civil, com deslocamentos, confinamentos, homicídios e a constante ameaça dos grupos ilegais”, declarou a Defensora do Povo, Iris Marín Ortiz. Chocó, Cauca, o Pacífico Vallecaucano, Antioquia, a Serra Nevada, Perijá, Magdalena Medio, Arauca, Meta, Guaviare, Sul de Córdoba, Buenaventura, Tolima e Putumayo estão dentro desse panorama humanitário crítico.

Outro fato é o novo bloqueio armado do ELN no Chocó, que, segundo o grupo, ocorrerá de 18 a 21 de fevereiro, e que confirma a falta de realismo social e humanitário e a perda total de perspectiva desse grupo. É no mínimo irônico que o ELN decida fazer um bloqueio pela “grave situação humanitária do departamento do Chocó”. O impacto humanitário é tão devastador para a população civil que a governadora Nubia Carolina Córdoba pediu a declaração de estado de comoção interior. Até o momento, em fevereiro de 2025, devido ao confronto entre o ELN e o Clã do Golfo, 3.400 pessoas foram deslocadas neste departamento.

Três fatos interrelacionados que refletem um momento difícil da Paz Total. A sociedade, o povo colombiano, não pode ficar apenas como espectador da crise. O desafio é enorme, complexo e crucial para o presente e o futuro da Colômbia. Abordar a crise com um enfoque integral e construtivo e sair dela não é um dever exclusivo do presidente Gustavo Petro e sua equipe de negociadores. Setores da sociedade, organizações defensoras de direitos e paz, partidos políticos do Pacto Histórico e processos populares territoriais devem ajudar a propor e construir saídas.

Realizar uma avaliação e identificar os pontos críticos, além de fazer ajustes, é necessário para aumentar a capacidade de resolução de problemas. Vozes autorizadas, como a de Soraya Gutiérrez, coordenadora do eixo de Paz do Coletivo José Alvear Restrepo – CAJAR, destacaram que: “Se o Governo busca manter abertas as possibilidades de negociação com os atores armados, é necessária uma mudança no Escritório do Alto Comissariado para a Paz. É preciso alguém que lidere as mesas de forma articulada, firme, decidida e com uma visão integral do conflito”. A mudança de uma pessoa não necessariamente resultará em avanços e soluções, mas é um chamado para começar a ajustar o processo.

Em meio às dificuldades, a política de Paz Total deve revisar os mecanismos de Proteção a Líderes Sociais e Defensores de Direitos Humanos, vítimas do conflito e comunidades vulneráveis. Aí está o coração da credibilidade e do compromisso dessas comunidades com a paz.

Acelerar e ajustar as políticas de Desenvolvimento Rural Integral, focadas nos territórios mais pobres, em uma ação de coordenação interinstitucional, que garanta uma implementação coerente e efetiva dos acordos de Havana e da atual política de Paz Total.

Em todo caso, a saída não pode ser a militarização.

 

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