Um estudo internacional inédito revela que as geleiras do mundo estão derretendo em um ritmo alarmante, com um aumento de 36% na perda de gelo entre 2012 e 2023 em comparação com a década anterior. Em média, cerca de 273 bilhões de toneladas de gelo são perdidas anualmente, cifra equivalente ao consumo de água de toda a população mundial por 30 anos.
Michael Zemp, professor da Universidade de Zurique e coautor da pesquisa publicada na revista Nature, destacou que as descobertas são preocupantes, especialmente à medida que as temperaturas globais continuam a subir devido às emissões de gases de efeito estufa. Desde o início do século XXI, as geleiras perderam cerca de 5% de seu volume total, variando de uma perda de 2% na Antártida a 40% nos Alpes Europeus.
Zemp enfatiza que as regiões com geleiras menores estão experimentando um derretimento mais acelerado, e muitas dessas geleiras podem desaparecer até o final do século. O estudo, coordenado pelo Serviço Mundial de Monitoramento de Geleiras (WGMS) e outras instituições, combina medições de campo e satélites para criar uma base de dados abrangente sobre a perda de gelo.
As observações indicam que o derretimento das geleiras neste século pode ocorrer a uma taxa mais rápida do que o previsto nas últimas avaliações do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Isso pode resultar em um aumento do nível do mar superior ao esperado até o final do século, impactando o fornecimento de água doce, especialmente na Ásia Central e nos Andes.
As geleiras são o segundo maior contribuinte para o aumento do nível do mar, atrás apenas da expansão térmica dos oceanos. Desde 2000, o derretimento das geleiras contribuiu para quase 2 cm de aumento do nível do mar, afetando milhões de pessoas em regiões costeiras vulneráveis.
Além disso, Martin Siegert, professor da Universidade de Exeter, alerta que a pesquisa indica que as camadas de gelo da Antártida e da Groenlândia também estão perdendo massa em taxas crescentes. Ele ressalta a importância de monitorar essas mudanças, pois elas podem ter consequências drásticas.
Com dados do WGMS que remontam a mais de um século, as geleiras têm sido um indicador crucial das mudanças climáticas. A utilização de tecnologia moderna, como satélites, tem permitido um acompanhamento mais preciso das 275.000 geleiras do planeta.
Em janeiro, as Nações Unidas enfatizaram a importância de salvar as geleiras como uma estratégia vital para a sobrevivência do planeta. Para isso, a redução das emissões de gases de efeito estufa é fundamental. Cada décimo de grau de aquecimento evitado representa uma chance de preservar vidas e recursos.