A delação de Mauro Cid trouxe à tona um dos episódios mais impactantes da investigação sobre a tentativa de golpe de Estado em 2022. O relato inclui o recebimento de dinheiro no Palácio da Alvorada, supostamente destinado a financiar ações golpistas.

Entrega de Dinheiro por Braga Netto

Conforme a delação, o dinheiro foi entregue por Braga Netto, ex-ministro da Defesa e candidato a vice na chapa de Bolsonaro, em uma embalagem que lembrava um presente de vinho. Segundo Cid, ele recebeu a quantia sem conferência, afirmando que a caixa estava lacrada e que não sabia o montante exato.

“O general Braga Netto me entregou o dinheiro no Alvorada. Eu coloquei na minha mesa na biblioteca e depois o tenente-coronel Rafael Martins de Oliveira veio buscar”, relatou Cid. Martins de Oliveira, integrante do grupo radical conhecido como “kids pretos”, tentava influenciar o Alto Comando do Exército para impedir a posse de Lula.

Reuniões e Ações Golpistas

A delação também menciona uma reunião em 28 de novembro de 2022, onde oficiais do Curso de Forças Especiais discutiram estratégias para ações golpistas. Este grupo era composto por militares com posturas radicais, dispostos a participar de atividades que visavam desestabilizar o governo.

Dinheiro das Joias

Além das revelações sobre o dinheiro vivo, Mauro Cid também mencionou o repasse de US$ 86 mil (cerca de R$ 489 mil) a Jair Bolsonaro, resultante da venda de joias recebidas do governo da Arábia Saudita. Cid informou que ele e seu pai, o general da reserva Mauro Lourena Cid, realizaram as vendas nos Estados Unidos em 2022, obtendo R$ 68 mil por relógios Rolex e Patek Philippe, e R$ 18 mil pelo kit de joias Chopard.

Cid destacou que as joias pertencem ao Estado e não a Bolsonaro, e que, ao negociar as peças, descontou os custos de passagens e aluguel de carro antes de repassar os valores ao ex-presidente.