O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em entrevista à Rádio Tupi, que o pedido de anistia do ex-presidente Jair Bolsonaro é um sinal de culpa. Lula argumentou que, ao solicitar perdão para os acusados de atentados contra o Estado democrático de direito, Bolsonaro está admitindo sua participação em ações ilícitas.
“Quando o ex-presidente pede anistia, está provando que cometeu um crime. Ele deveria afirmar: ‘sou inocente e vou provar minha inocência’”, afirmou Lula. O presidente acrescentou que a situação atual revela a necessidade de um sistema judiciário que funcione para todos, reforçando o direito à ampla defesa e ao contraditório, especialmente após sua experiência durante a operação Lava Jato em 2018.
Na terça-feira (18), a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou Bolsonaro e outros 33 indivíduos por supostamente terem planejado um golpe de Estado entre 2021 e janeiro de 2023, com o objetivo de anular sua derrota nas urnas e impedir a posse de Lula. A delação de Mauro Cid, que contribuiu para as investigações, foi divulgada pelo relator dos casos, Alexandre de Moraes.
Bolsonaro Responde
Em sua primeira declaração após a denúncia, Bolsonaro alegou estar com a “consciência tranquila” e minimizou as acusações, afirmando que não tem “obsessão pelo poder”. Em um evento de filiados do PL, o ex-presidente fez referência ao que chamou de “golpe da Disney”, ironizando sua viagem aos Estados Unidos após deixar o cargo.
A PGR classificou Bolsonaro como líder de uma organização criminosa envolvida em atos contra a democracia e solicitou sua condenação por cinco crimes, incluindo tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. Se a denúncia for aceita pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Bolsonaro poderá enfrentar até 40 anos de prisão.
Durante o evento, ele também comentou sobre as especulações de sua prisão, dizendo: “Caguei para prisão!” e reafirmou sua intenção de concorrer à presidência em 2026, apesar de estar inelegível até 2030 devido a condenações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).