O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmou em depoimento de delação premiada que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi monitorado por um juiz do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante o ano de 2022. Naquele período, o magistrado presidia a Justiça Eleitoral. A informação foi divulgada após a Procuradoria-Geral da República (PGR) retirar o sigilo dos vídeos da delação, que corroboram as denúncias contra Bolsonaro e outros 33 investigados no inquérito relacionado ao suposto golpe.
Durante o depoimento, Moraes questionou Cid sobre o monitoramento e o ex-ajudante de ordens confirmou que recebeu ordens diretas de Bolsonaro para coletar informações sobre o ministro. “Solicitei ao coronel Câmara [um dos denunciados]. Não sei quem era o contato dele. O que eu sei era aquele ministro, aquele elemento do TSE”, declarou Cid.
Após essa afirmação, Moraes identificou o juiz envolvido, embora o nome não tenha sido divulgado. O ministro também destacou que o monitoramento ocorreu em várias ocasiões.
A investigação revelou que um dos motivos para o monitoramento foi uma suposta informação de que o general Hamilton Mourão se encontraria com Moraes em São Paulo. Além disso, as denúncias da PGR indicam que Bolsonaro estava ciente de um plano que envolvia ações para assassinar não apenas Moraes, mas também o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin, denominado “Punhal Verde Amarelo”.
Segundo a delação, Cid explicou que Bolsonaro pressionou o então ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, para incluir em um relatório a possibilidade de fraudes nas urnas eletrônicas. Em novembro de 2022, o Ministério da Defesa enviou um documento ao TSE afirmando que não foram encontradas fraudes nas eleições, mas não descartou a possibilidade de inconsistências.
Cid ressaltou que Bolsonaro queria que o relatório indicasse que havia fraude, mas o resultado final foi um meio-termo que refletiu a pressão do ex-presidente e as conclusões técnicas do general.
Em resposta às denúncias, o advogado de Bolsonaro, Paulo Cunha Bueno, afirmou que o ex-presidente “jamais compactuou com qualquer movimento que visasse a desconstrução do Estado Democrático de Direito ou das instituições”. As informações foram obtidas do portal Agência Brasil.