A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), revelou que o percentual de famílias brasileiras com dívidas a vencer caiu para 76,1% em janeiro de 2025. Este número representa uma diminuição de 0,6 ponto percentual em relação a dezembro de 2024 e uma queda de 2 pontos em comparação ao mesmo período do ano passado.
Os dados foram coletados em todas as capitais dos Estados e no Distrito Federal, abrangendo cerca de 18 mil consumidores. Segundo os pesquisadores, essa redução reflete a cautela dos consumidores diante de um cenário de juros elevados e a expectativa de novas altas nas taxas. A quantidade de famílias que se considera “muito endividada” aumentou para 15,9%, o maior nível desde setembro de 2024. Em contrapartida, o percentual de famílias que afirmam não ter dívidas cresceu para 23,9%.
Outro dado positivo é a redução no número de famílias com dívidas em atraso, que caiu para 29,1%, uma leve queda em relação aos 29,3% registrados em dezembro. No entanto, esse percentual é superior ao de janeiro de 2024, que foi de 28,3%. A proporção de famílias que relataram não ter condições de pagar as dívidas em atraso também recuou, alcançando 12,7%, embora ainda seja maior que os 12% do ano passado.
José Roberto Tadros, presidente do sistema CNC-Sesc-Senac, comentou sobre os resultados: “Os juros elevados e a seletividade do crédito levam os consumidores a evitar novas dívidas, enquanto a percepção de endividamento aumenta. Apesar da leve melhora na inadimplência, o comprometimento crescente da renda gera um sinal de alerta para a economia em 2025.”
A pesquisa também indica que os consumidores estão conseguindo quitar suas contas atrasadas mais rapidamente, com a porcentagem de famílias com dívidas em atraso por mais de 90 dias caindo para 48,9%, marcando o terceiro mês consecutivo de queda. No entanto, o número de consumidores que têm mais da metade de sua renda comprometida com dívidas subiu para 20,8%, o maior índice desde maio de 2024, elevando o comprometimento médio da renda com dívidas para 30%.
Embora tenha havido uma melhora no tempo de pagamento, as dívidas estão consumindo uma parcela maior da renda familiar devido à redução dos prazos de pagamento. O percentual de famílias com dívidas com mais de um ano de atraso diminuiu para 35,9%, a primeira queda desde maio de 2024.
Os autores do estudo observam que o aumento das taxas de juros está restringindo o crédito e forçando os consumidores a destinar uma maior parte de sua renda ao pagamento de dívidas, o que intensifica a sensação de endividamento. A CNC prevê que o endividamento das famílias deve aumentar em 2025, à medida que as famílias recorrerão ao crédito para consumo, desafiando ainda mais a inadimplência.
Quais são as dívidas mais comuns?
A sondagem da CNC também identificou as dívidas mais recorrentes entre as famílias brasileiras. O cartão de crédito lidera a lista, seguido por carnês, crédito pessoal e financiamento da casa. O ranking indica que muitas famílias enfrentam múltiplas formas de endividamento.