Por Juan Sebastian Sabogal Parra – Opinião
A decisão de se erguer perante a injustiça e a clara violação dos direitos humanos colocou a Colômbia no centro da política mundial como uma representação da dignidade.
A subordinação cultural e moral produz um conformismo que faz com que os subordinados não se reconheçam como tais, mas como parte de uma ordem natural das coisas, que reforça a sua exploração”: Antonio Gramsci.
No caso concreto de um trabalhador que depende materialmente do seu trabalho, esta dificuldade pode ser bem compreensível, mas há sempre a possibilidade de se revoltar e até conspirar contra o explorador que torna a liberdade impossível.
Assim, mesmo quando as condições materiais estão em causa, se houver uma oportunidade de procurar a liberdade e a dignidade, o trabalhador consciente aproveitará sem dúvida essa oportunidade e utilizá-la-á para alcançar a emancipação.
No centro da política mundial
Ao contrário do que se tem dito, nos últimos dias tem-se observado como a direita colombiana, juntamente com os seus meios de comunicação específicos, tem mais capacidade para se ajoelhar perante o santo padroeiro do norte, Donald Trump, do que para tentar procurar ou mesmo saber o que se chama dignidade.
Alguns presidentes de câmara, nomeadamente Federico Gutiérrez como presidente da câmara de Medellín, que não tiveram a menor capacidade ou habilidade para governar, foram rápidos a organizar uma comitiva para “pedir perdão”. Isto revela não só o desespero de uma série de políticos que não têm capacidade de reflexão e dependem apenas do que os outros lhes dizem, mas também o desprezo destas facções por palavras como soberania, dignidade e direitos humanos.
O historiador e escritor americano Howard Zinn disse: “A história não é definida pelos palácios dos governantes, mas pelos momentos em que as pessoas comuns se levantam, se organizam e se recusam a aceitar a injustiça como inevitável”.
A mensagem que o Presidente Gustavo Petro enviou a Trump pode ser agrupada nesta, onde salienta que não se trata, como a imprensa hegemônica referiu, de uma visão individualista ou de uma mera birra, mas, pelo contrário, do mais puro ato soberano, que não permite, como no passado, que o nome da Colômbia seja deixado na periferia da política mundial.
A decisão de enfrentar a injustiça e a clara violação dos direitos humanos colocou a Colômbia no centro da política mundial como representação da dignidade.
Vitória da Colômbia
Esta “crise diplomática” permitiu ver a realidade da política nacional. De um lado, é possível identificar uma esquerda que busca a construção da dignidade popular, que busca romper com a chamada “ordem natural” mencionada por Gramsci, onde deve haver um explorador privilegiado e um explorado nas piores condições.
Confrontada com essa perspetiva está uma direita oportunista, entreguista, sem o menor raciocínio, que busca apenas “ficar bem” com quem manda, pela impossibilidade de entender que há outros caminhos, como diria o jornalista na cena final de Estratégia Caracol (1993), onde ele se pergunta: “Por que fazer tudo isso? É justamente pela dignidade, pela quebra das estruturas vendidas como naturais para estabelecer uma nova visão da realidade.
Na manhã de 27 de janeiro, os meios de comunicação social hegemônicos pareciam um pouco atordoados, mas não conseguiam perder a sua perspetiva, pelo que se limitaram a mencionar que a crise tinha terminado graças ao recuo de Gustavo Petro, no entanto, estas palavras não são verdadeiras, porque cada um dos pontos que definiam a crise foi integralmente cumprido pelo “gigante” do norte.
As deportações serão efectuadas de acordo com os critérios mencionados pelo governo colombiano e com os meios que este reservou para o efeito. Claramente, há uma vitória do governo colombiano, que não só teve a capacidade política de enfrentar as decisões supremacistas de Donald Trump, mas também teve a capacidade de unir o México, o Brasil, a Venezuela, Cuba, entre outras nações que sinalizaram a sua rejeição às deportações desumanas.
Se a crise se tivesse agravado, teríamos assistido a um cenário em que dois dos seus maiores parceiros económicos, nomeadamente em produtos agro-alimentares, como o México e o Brasil, teriam tomado posições que afectariam fortemente a economia dos EUA.
A pátria grande
Os povos só podem trabalhar juntos sob uma perspetiva internacionalista. A única forma de avançar neste desenvolvimento latino-americano é continuar a reforçar os processos políticos alternativos, bem como a necessidade imperiosa de romper com as estruturas mediáticas hegemônicas, a fim de isolar finalmente essa direita recalcitrante que não tem a mínima compreensão política da realidade e que, tal como o cão de Pavlov, se limita a babar quando a campainha toca, sem qualquer consciência real do que está a acontecer.
Em suma, é digno de nota o facto de, pela primeira vez na história, o Governo colombiano ter obtido uma vitória no domínio da política internacional. Parece que a ideia bolivariana de unidade política, territorial e, sobretudo, económica, onde o desenvolvimento não é imposto através de acordos desiguais e unilaterais, está a ser gradualmente construída.
A tradição submissa deve ser quebrada para construir a integração sul-sul e, na mesma linha, um desenvolvimento equilibrado que permita aos nossos povos superar as necessidades materiais impostas a sangue e fogo pelo intervencionismo norte-americano.
Para avançar em direção à grande pátria, é imperativo citar as palavras do Libertador Simón Bolívar: “A união deve salvar-nos, assim como a divisão nos destruirá se for introduzida entre nós”.
___
*Juan Sebastian Sabogal Parra é membro do Colectivo de Maestros Leonardo Posada Pedraza – William Agudelo
____________________________________________
As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor (a) e não necessariamente reflete a nossa política editorial. O Fronteira Livre adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
Voz La Verdad del Pueblo
https://semanariovoz.com/