Para quem a intervenção e possível transformação da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional – USAID – está a gerar incerteza e preocupação?

Entre aqueles que deveriam estar muito preocupados estão os meios de comunicação ligados às potências capitalistas tradicionais, que sugam deste órgão imperial os recursos para construir fortes estratégias e armazéns que geram, segundo a segundo, notícias mentirosas conhecidas como Fake News. E, claro, as fundações que supostamente defendem a liberdade de informação e os direitos dos jornalistas, mas que na realidade atuam como reprodutoras das orientações do grande capital.

Algumas ONG poderosas, habituadas a receber financiamentos permanentes da USAID em troca de uma certa complacência com a corrupção, fechando os olhos às injustiças e raramente, ou nunca, denunciando as violações dos direitos humanos, também ficaram inseguras.

A USAID, criada a 3 de novembro de 1961 por iniciativa da administração John F. Kennedy sob a fachada de “agência de desenvolvimento”, nome que esconde a sua verdadeira essência, nunca foi uma entidade desligada do interesse imperial dos Estados Unidos. Pelo contrário, dirigida pelo Departamento de Estado, cumpre missões de espionagem e de intervenção nos processos sociais, culturais e comunicacionais, sob a capa da cooperação e da assistência a projetos.

As suas ações visam sempre reforçar o carácter colonial da relação Norte-Sul, condicionando a ação de organizações e comunidades inteiras, através do discurso das ONGs sem fins lucrativos, de forma a eliminar ou adormecer a rebeldia e as posições políticas críticas. A USAID apoia uns e exclui outros, de acordo com a posição política, dissociando e gerando grandes fracturas no tecido social dos processos populares e sociais nos nossos territórios. Este é o chamado exercício imperial do soft power da intervenção imperial e neo-colonial.

Outras vítimas são os governos que, através de fundos secretos e não contabilizados, financiaram processos obscuros paralelos às instituições públicas, especialmente grupos paramilitares, para atacar e conter as forças populares e democráticas que lutam pelos direitos humanos e pela democracia nas suas sociedades.

A oposição de extrema-direita, que, tal como na Venezuela e em Cuba, utiliza os fundos da USAID para financiar planos de golpe, mas que também roubou ao governo dos EUA milhares de milhões de dólares que foram parar aos bolsos de muitos Guaidos, Corinas ou Edmundos, também está angustiada. No caso de Cuba. A USAID financiou redes sociais que tentam desestabilizar a ilha, mas apesar dos recursos consideráveis, falham sempre.

Embora um ladrão que rouba de um ladrão tenha 100 anos de perdão, roubar do império e enganá-lo traz sérios problemas, ainda mais quando há aproximações e diálogos entre a Venezuela e os EUA, um processo que, se bem sucedido, deixaria a oposição num estado inútil para os interesses do império.

Mas será que Trump e Rubio tencionam retirar à USAID o seu caráter criminoso de espionagem e de intervenção contra as democracias da América Latina? É evidente que não. O que querem é que os beneficiários dos seus fundos não os roubem, que cumpram o seu papel de derrubar governos e dividir ainda mais os povos em luta pela sua libertação, que sejam mais eficazes no controlo ideológico e cultural, que se transformem para melhor desempenharem o seu papel na estratégia de dominação continental e mundial.

Nós estaremos aqui para lutar ao lado dos povos, até expulsarmos dos nossos territórios agências como a USAID que só trazem miséria e sofrimento.

Voz La Verdad del Pueblo
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