O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou as intervenções do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em assuntos internacionais, afirmando que o republicano não foi eleito para “mandar no mundo”. Durante uma entrevista às rádios Metrópole e Sociedade, na Bahia, Lula descreveu as ações de Trump como “anomalias” e ressaltou a importância do respeito à soberania dos países.

Lula mencionou planos de Trump que incluem a ocupação do Canal do Panamá e a anexação da Groenlândia e do Canadá, além do recente anúncio de que os EUA assumiriam o controle da Faixa de Gaza. “Eu respeito a eleição do presidente Trump. Ele foi eleito pelo povo americano e tem meu respeito para governar os Estados Unidos, mas ele não foi eleito para ditar regras globais”, afirmou.

O presidente também criticou a proposta de transformar a Faixa de Gaza na “Riviera do Oriente Médio”, enfatizando que “ninguém vai fazer um lugar bonito em cima de cadáveres de mulheres e crianças”. Lula defendeu uma abordagem mais humanista, afirmando que é necessário cuidar da Palestina e criar um Estado para o povo palestino, que não deve ser tratado como marginal.

Trump causou alvoroço na comunidade internacional ao declarar, ao lado do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, que “os EUA tomarão a Faixa de Gaza” e que seriam “donos dela”.

Além disso, após o anúncio de Trump, o ministro israelense da Defesa, Israel Katz, ordenou que as Forças Armadas desenvolvessem um plano para que palestinos deixem a Faixa de Gaza “voluntariamente”. Katz elogiou a proposta de Trump, considerando-a “corajosa” e afirmando que os moradores de Gaza devem ter a liberdade de emigrar para países dispostos a aceitá-los.