Isabel Streski, mãe de Antonio Augusto Streski Manjinski, desaparecido desde outubro de 2022, tem se dedicado a ajudar outras famílias de pessoas desaparecidas no Paraguai. Desde que iniciou sua busca pelo filho, Isabel já auxiliou na localização de 83 pessoas.
Antonio, que estudava medicina em Mariano Roque Alonso, no Paraguai, sumiu quando tinha 25 anos. Para investigar seu desaparecimento, Isabel se mudou para o país e fundou a Associação de Famílias de Desaparecidos, que oferece apoio e orientações para parentes em situações semelhantes. “As famílias me ligam e eu dou dicas sobre como proceder, algo que eu gostaria de ter recebido quando comecei a buscar por meu filho”, relata.
Segundo um relatório da Coordenadoria dos Direitos da Criança e do Adolescente do Paraguai (CDIA), mais de 1.200 pessoas desapareceram no país em 2022, sendo que apenas 60% delas retornaram para casa. Dentre elas, muitas são menores de idade, o que preocupa as autoridades e as famílias.
Isabel, que morava nos Estados Unidos quando Antonio desapareceu, voltou ao Paraguai para investigar. Desde então, ela contatou pessoas mencionadas no diário do filho, analisou documentos e fez campanhas nas redes sociais e na imprensa para disseminar informações sobre o caso.
“Eu investiguei mais do que qualquer investigador. Fui a lugares que nem a polícia entra, não deixei nenhuma pista de lado”, afirma. Apesar de seus esforços, tanto as investigações pessoais quanto as da polícia não levaram a resultados concretos sobre o paradeiro de Antonio.
O Itamaraty informou que em casos de desaparecimento de brasileiros no exterior, cabe aos consulados oferecer apoio, mas não possuem poder investigativo. Isabel teve contato com as autoridades, mas afirma que a ajuda do governo brasileiro foi limitada.
O Ministério Público do Paraguai divulgou um cartaz de busca quatro dias após o desaparecimento de Antonio, mas Isabel sente que a colaboração das autoridades brasileiras poderia ser mais efetiva. Ela solicitou apoio da Polícia Federal e da Polícia Civil do Paraná, mas até o momento, não houve resposta.
O desaparecimento de Antonio impactou profundamente a vida de Isabel e de sua família. Ela está atualmente em tratamento psicológico para lidar com a dor e o trauma, especialmente em relação ao seu filho mais novo, que vive com ela no Paraguai. “Tive que me adaptar e continuo nesse processo. A preocupação é constante; eu preciso saber onde ele está o tempo todo”, desabafa.
