Thomas Sankara nasceu em 21 de dezembro de 1949, em Yako, Alto Volta (atual Burkina Faso), e faleceu em 15 de outubro de 1987, em Ouagadougou. Oficial militar e defensor do pan-africanismo, Sankara tornou-se presidente do Alto Volta em 1983, após um golpe militar, cargo que ocupou até sua morte.
Os pais de Sankara, católicos, esperavam que ele se tornasse padre, mas ele escolheu seguir a carreira militar. Em 1970, aos 20 anos, foi enviado a Madagascar para treinamento de oficiais, onde presenciou uma revolta popular que derrubou o governo local. Antes de retornar ao Alto Volta em 1972, frequentou uma academia de paraquedistas na França, onde se deparou com ideologias políticas de esquerda. Em 1974, ganhou notoriedade por sua atuação heroica na guerra de fronteira com o Mali, mas mais tarde considerou esse conflito como inútil e injusto.
Caminho para a Presidência
Na década de 1980, Burkina Faso vivia uma onda de greves sindicais e golpes militares. As conquistas de Sankara e seu estilo de liderança carismático o tornaram uma figura popular, mas sua integridade o levou a conflitos com os líderes dos governos militares, resultando em várias prisões. Em janeiro de 1983, foi nomeado primeiro-ministro do Conselho para a Salvação do Povo (CSP), liderado por Jean-Baptiste Ouédraogo, o que lhe proporcionou uma plataforma na política internacional.
Sua postura anti-imperialista gerou conflitos com elementos conservadores dentro do CSP, incluindo Ouédraogo. Em maio de 1983, foi deposto e preso, mas em 4 de agosto do mesmo ano, seu amigo Blaise Compaoré liderou um golpe que o libertou, derrubando o regime de Ouédraogo e formando o Conselho Nacional da Revolução, com Sankara como presidente.
Governança e Realizações
Sankara estabeleceu que os objetivos da “revolução democrática e popular” eram erradicar a corrupção, combater a degradação ambiental, empoderar as mulheres e aumentar o acesso à educação e à saúde, visando acabar com a dominação imperial. Durante sua presidência, ele implementou programas que reduziram significativamente a mortalidade infantil, aumentaram as taxas de alfabetização e a frequência escolar, além de ampliar a participação feminina em cargos governamentais. No primeiro ano de seu governo, 10 milhões de árvores foram plantadas para combater a desertificação. No primeiro aniversário do golpe que o levou ao poder, renomeou o país de Alto Volta para Burkina Faso, que significa “terra de pessoas íntegras” nas línguas Mossi e Dyula.
Desafios e Morte
Apesar dos avanços, a dissidência começou a crescer devido a problemas econômicos e à oposição a algumas políticas sociais progressistas. Sua administração perdeu apoio popular e enfrentou conflitos internos. Em 15 de outubro de 1987, Sankara foi assassinado em um golpe liderado por Compaoré e outros aliados. Compaoré governou Burkina Faso até ser forçado a renunciar em 2014 devido a agitações populares.
Julgamento e Legado
Décadas após sua morte, em 2021, 14 pessoas foram acusadas pelo assassinato de Sankara, incluindo Compaoré, que se recusou a participar do processo. O julgamento começou em 11 de outubro de 2021. Em 6 de abril de 2022, Compaoré e outros nove foram considerados cúmplices do assassinato, enquanto um, Hyacinthe Kafando, foi considerado culpado do homicídio. Compaoré, Kafando e o general Gilbert Diendéré foram condenados à prisão perpétua, enquanto outros oito réus receberam penas menores. Três foram absolvidos.
Thomas Sankara permanece um símbolo da luta pela justiça social e pela soberania africana, e seu legado continua a inspirar movimentos em todo o continente.