No último sábado (1º), Hugo Motta (Republicanos-PB) tomou posse como o novo presidente da Câmara dos Deputados e, em seu discurso, fez uma forte declaração contra a ditadura. Ao erguer um exemplar da Constituição Cidadã, Motta repetiu um gesto histórico de Ulysses Guimarães durante a promulgação da Carta Magna, em 1988.

O deputado destacou a importância da memória de Ulysses Guimarães, dizendo: “A memória de Ulysses deve iluminar corações e mentes nestes tempos difíceis.” Ele citou o ex-presidente da Câmara, que afirmou que “se a democracia é o governo da lei, não só elaborá-la, mas também cumpri-la são governo o Executivo e o Legislativo”.

Motta, ao recordar a frase icônica de Guimarães, “Tenho ódio e nojo à ditadura”, recebeu aplausos do plenário. Ele enfatizou que “não existe ditadura com Parlamento forte” e alertou sobre a tendência de regimes autoritários em minar o poder legislativo.

“Por isso, temos de lutar pela democracia. E não há democracia sem imprensa livre e independente”, afirmou o novo presidente, destacando a necessidade de harmonia entre os poderes.

Ao final de seu discurso, que durou cerca de 20 minutos, Motta mencionou o filme “Ainda Estou Aqui”, que retrata a história do ex-deputado Rubens Paiva, desaparecido durante a ditadura militar. O longa, que recebeu três indicações ao Oscar 2025, foi usado como exemplo da luta pela memória e justiça.

“Temos que estar sempre do lado do Brasil, em harmonia com os demais Poderes. Encerro com uma mensagem de otimismo: ainda estamos aqui”, concluiu Motta.

O novo presidente da Câmara tem uma longa trajetória na política, tendo sido filiado ao MDB por mais de uma década antes de se juntar ao Republicanos em 2018.

Que é Hugo Mota?

Hugo Motta, tem suas raízes políticas firmemente plantadas em Patos, na Paraíba, herdeiro de duas dinastias políticas. Desde cedo, Motta se familiarizou com as articulações e negociações que permeiam a política local. Reconhecido por seus aliados por ter um trânsito “excelente” tanto entre os partidos da base governista quanto na oposição, ele também mantém relações positivas com o mercado financeiro e o setor produtivo.

Durante o processo de escolha, houve certa desconfiança em relação a Motta, devido à sua ligação com o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, figura controversa por ter conduzido o impeachment de Dilma Rousseff. Motta presidiu a CPI da Petrobras, que desempenhou um papel significativo na queda da ex-presidente. Apesar das críticas de alguns setores do PT, existe uma disposição a dialogar com o novo presidente da Câmara.

Motta é visto como um político equilibrado e aberto a conversas. Ele possui um alto índice de aprovação nas votações do governo em pautas importantes, o que agrada ao Executivo. A expectativa é que sua gestão seja mais institucional e menos tumultuada do que a de seu antecessor, Arthur Lira.

Durante sua campanha, Hugo Motta se envolveu em reuniões com bancadas de diversos estados, participou de eventos com o setor privado e dialogou com diferentes partidos políticos. Recentemente, se encontrou com o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, para discutir a eleição. Motta tem enfatizado seu compromisso em buscar consensos e combater a radicalização, enquanto pretende avançar na agenda econômica, reforçando o protagonismo da Câmara dos Deputados e a autonomia parlamentar.