O ex-policial penal Jorge José Guaranho será julgado no dia 11 de fevereiro no Tribunal do Júri de Curitiba pelo assassinato de Marcelo Arruda, tesoureiro do PT em Foz do Iguaçu, ocorrido em 2022. Guaranho é acusado de homicídio duplamente qualificado, motivado por futilidade e associado à violência política.

Marcelo Arruda foi morto a tiros no dia de seu aniversário de 50 anos durante uma festa temática em homenagem ao presidente Lula. O crime, que gerou repercussão internacional, ocorreu em um contexto de acirrada polarização política no Brasil. O dia 9 de julho, data do assassinato, foi instituído como Dia de Luta contra a Intolerância Política em alguns estados brasileiros.

O julgamento, inicialmente marcado para Foz do Iguaçu, foi transferido para Curitiba após um pedido de desaforamento da defesa de Guaranho. O caso já enfrentou várias interrupções, incluindo a suspensão do júri em abril de 2024 e novamente em maio do ano passado, devido a solicitações de mudança de foro aceitas pelo Tribunal de Justiça do Paraná.

A sessão será conduzida pela juíza Mychelle Pacheco Cintra Stadler e está prevista para começar às 10h. A acusação será representada pelas promotoras Roberta Franco Massa e Ticiane Louise Santana Pereira.

Família e amigos de Arruda devem acompanhar o julgamento, que simboliza um pedido coletivo por justiça e paz. A viúva de Marcelo, Pamela Silva, expressou sua esperança de que finalmente o autor do crime seja responsabilizado.

“Ele matou uma pessoa boa, pai de quatro filhos, que sofrerão a ausência do Marcelo para sempre. É um crime que não pode ficar impune”, afirmou a víuva da vítima.

A expectativa é de que Guaranho receba a pena máxima pelo homicídio duplamente qualificado, considerando a motivação política do delito. A denúncia do Ministério Público do Paraná destaca que o assassinato ocorreu em função de “preferências político-partidárias antagônicas”, já que Guaranho é bolsonarista e defensor do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A investigação incluiu perícia que confirmou que o réu proferiu a frase “petista vai morrer tudo” durante o ataque. Os promotores afirmam que Guaranho invadiu a festa, provocando os convidados com ofensas e exaltando figuras políticas de sua preferência.

O crime destaca a crescente preocupação com a violência política no Brasil, um fenômeno que, segundo especialistas, precisa ser urgentemente abordado para evitar mais tragédias. “Ninguém pode ser alvo de violência por suas crenças ou posição política. Isso precisa acabar”, declarou o advogado Daniel Godoy Júnior.

Jorge Guaranho, que era servidor da Penitenciária Federal de Catanduvas, foi exonerado do cargo em março de 2023. Atualmente, ele cumpre prisão domiciliar, após a concessão de habeas corpus que autorizou a mudança de regime.