O endurecimento das políticas de deportação nos Estados Unidos, impulsionado pelas ações do ex-presidente Donald Trump, está gerando um impacto significativo na vida de muitos brasileiros que residem no país. Desde sua posse em 20 de janeiro, Trump implementou uma série de ordens executivas que visam a repressão a imigrantes sem documentos.

Entre as mais de 21 medidas anunciadas, destaca-se a autorização para a detenção de imigrantes em locais como igrejas, escolas e clínicas. Agentes federais, incluindo policiais do Departamento Antidrogas e os Marshals, também passaram a atuar na detenção de imigrantes irregulares.

Junior Pena, influenciador mineiro com mais de um milhão de seguidores no TikTok, relata que sua caixa de mensagens está repleta de mensagens de famílias brasileiras que vivem com medo. Muitas alteraram suas rotinas, evitando sair de casa e considerando retornar ao Brasil devido ao clima de insegurança.

Em declarações oficiais, membros do governo americano têm afirmado que o foco das operações está em imigrantes considerados “criminosos”, mas relatos indicam que pessoas sem antecedentes criminais também estão sendo detidas, gerando medo entre a comunidade brasileira.

Um exemplo recente ocorreu em Newark, Nova Jersey, onde o prefeito Ras Baraka denunciou que agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) realizaram detenções sem mandado em um estabelecimento local, prendendo tanto residentes irregulares quanto cidadãos.

A CBS News noticiou o caso de uma mulher venezuelana detida em Miami, que estava em processo de obtenção de cidadania. Em coletiva de imprensa, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, categoricamente afirmou que qualquer imigrante irregular é considerado criminoso. Ela enfatizou que a intenção de Trump é remover todos os imigrantes ilegais, independentemente de seu histórico criminal.

As mensagens que circulam entre a comunidade também alertam sobre o chamado “dano colateral”, que se refere à detenção de imigrantes sem antecedentes criminais que são capturados junto aos alvos principais das operações. Dinorah, residente da Carolina do Norte, expressa a preocupação que permeia o cotidiano dos imigrantes: “As pessoas estão bem assustadas e com muito medo.”

O clima de tensão foi intensificado por relatos de maus-tratos a brasileiros em voos de deportação. Junior Pena descreve a situação como um período de “terror psicológico” para a comunidade, com muitos brasileiros se sentindo vulneráveis e à beira de deixar o país. Uma residente de Massachusetts compartilhou sua angústia: “Estou por um triz de pegar meus filhos e ir embora”.