O presidente dos Estados Unidos, Donald J. Trump, anunciou a retirada do país da Organização Mundial da Saúde (OMS) logo após sua posse para um segundo mandato na Casa Branca. Segundo Trump, a OMS “continua a exigir pagamentos injustamente onerosos” dos EUA e criticou sua gestão da pandemia de Covid-19, afirmando que a organização não demonstrou independência em relação à influência política de seus membros.
Essa não é a primeira vez que Trump toma tal decisão; em julho de 2020, ele já havia interrompido o financiamento à OMS durante a pandemia. A medida foi revertida por seu sucessor, Joe Biden.
A OMS, fundada em 1948 e com sede em Genebra, Suíça, é uma agência da ONU dedicada ao combate a doenças transmissíveis e não transmissíveis. O Brasil é um dos membros-fundadores e, ao longo de sua história, já ocupou a direção-geral do órgão.
O papel da OMS e sua autoridade
De acordo com Gonzalo Vecina, médico sanitarista e ex-presidente da Anvisa, a eficácia da OMS depende da transferência de poder dos países-membros. As decisões na OMS exigem consenso, o que limita sua capacidade de ação em crises de saúde, como a pandemia de Covid-19. Apesar disso, Vecina ressalta a importância dessas organizações multilaterais na promoção de um mundo mais harmonioso.
Consequências da saída dos EUA da OMS
Vitelio Brustolin, professor de Relações Internacionais da UFF e pesquisador em Harvard, destaca que a saída dos EUA terá um grande impacto no financiamento da OMS. Os Estados Unidos são responsáveis por cerca de US$ 550 milhões anuais, o que representa uma parte significativa do orçamento da organização.
Brustolin alerta que a retirada dos EUA pode enfraquecer a OMS em países emergentes e prejudicar o desenvolvimento de pesquisas científicas, dada a posição dos EUA na vanguarda da pesquisa médica. Ele considera a saída um “duro golpe” para o sistema internacional estabelecido após a Segunda Guerra Mundial, sugerindo que a medida pode ser vista como uma sabotagem das estruturas globais de saúde.