O Banco Central da República Argentina anunciou que até 28 de fevereiro, instituições financeiras deverão permitir transações com cartões de débito em dólar. Essa decisão é vista como um avanço significativo em direção a uma das promessas de campanha do presidente Javier Milei, que visa dolarizar a economia do país.

Além disso, o Banco Central desenvolveu um programa que possibilita pagamentos parcelados em dólares ou em pesos, com o intuito de “fortalecer a competição cambial e permitir que cidadãos e empresas utilizem a moeda de sua escolha nas transações diárias”, conforme comunicado divulgado na quinta-feira.

O ministro da Economia, Luis Caputo, também informou que a partir de 24 de janeiro, empresas poderão exibir preços de produtos e serviços em dólares ou em outras moedas estrangeiras, ao lado do valor em pesos, em seus estabelecimentos comerciais.

Em outra decisão, a autoridade monetária manteve a taxa de juros em 32% ao ano, contrariando expectativas de investidores que aguardavam um corte, especialmente após a desaceleração da inflação anual em dezembro. Os mercados financeiros contavam com uma redução da taxa, considerando a diminuição na depreciação mensal da moeda oficial de 2% para 1%.

Durante sua campanha, Milei se comprometeu a promover a competição entre moedas na segunda maior economia da América do Sul, como parte de um plano denominado “dolarização”, com o objetivo de combater a hiperinflação no país. Essa proposta, no entanto, enfrentou críticas da oposição, que a considerava inviável devido à escassez de dólares.

Apesar das novas medidas, a Argentina ainda enfrenta restrições cambiais e de capitais. Milei prometeu eliminar essas barreiras ao longo deste ano, o que pode levar o Banco Central a ajustar as taxas de juros para evitar uma corrida cambial.

O Fundo Monetário Internacional (FMI), que tem sido um parceiro fundamental para a Argentina na busca por empréstimos, defende que as taxas de juros permaneçam acima da inflação.

Dados recentes mostraram que os preços subiram 2,7% em dezembro em comparação a novembro, marcando o terceiro mês consecutivo com inflação abaixo de 3%. A inflação anual recuou para 117,8%, uma queda significativa em relação ao pico de quase 300% no ano anterior.

Desde que Milei assumiu a presidência em dezembro de 2023, o Banco Central já reduziu as taxas de juros em oito ocasiões, partindo de 133%. Essa abordagem se destaca como uma das estratégias mais ousadas de Milei para controlar a inflação.