Médicos Sem Fronteiras (MSF) denunciou a suspensão de suas atividades no Hospital Universitário Bashair, em Cartum, devido a ataques violentos contra pacientes e profissionais de saúde. O hospital, localizado em uma área sob controle das Forças de Apoio Rápido (RSF), foi palco de diversos incidentes que culminaram na decisão da organização.

Nos últimos 20 meses, MSF trabalhou ao lado de profissionais e voluntários no hospital, enfrentando invasões armadas que resultaram em ameaças diretas à equipe médica. Em 11 de novembro de 2024, um paciente foi baleado e morto nas dependências do hospital, e em 18 de dezembro, disparos foram feitos dentro do pronto-socorro.

Claire San Filippo, coordenadora de emergência da MSF, destacou a gravidade da situação: “O sofrimento em Cartum é imenso. A violência intensa persiste diariamente, e a escassez de alimentos e ajuda humanitária agrava a luta pela sobrevivência da população. As necessidades médicas são esmagadoras”.

O Hospital Bashair, um dos últimos a oferecer cuidados médicos gratuitos na região, tem visto um aumento nos casos de ferimentos traumáticos graves, especialmente com a intensificação dos combates. Em um ataque recente, ocorrido em 5 de janeiro de 2025, 50 pessoas foram atendidas, das quais 12 já estavam mortas.

Além dos traumas causados pela violência, a MSF também enfrenta surtos de cólera, malária e dengue, e observa níveis alarmantes de desnutrição entre a população. Em outubro de 2023, o hospital teve que suspender cirurgias devido ao bloqueio de suprimentos pelas Forças Armadas Sudanesas.

“É devastador interromper o apoio a cuidados de saúde essenciais, especialmente diante de necessidades tão prementes”, afirma San Filippo. “Os hospitais devem ser espaços seguros para o atendimento médico, onde profissionais possam trabalhar sem medo”.

Desde a reabertura do hospital em maio de 2023, MSF atendeu mais de 25 mil pacientes. A organização continua suas operações em 11 estados do Sudão, esperando retornar ao Hospital Bashair assim que as condições permitirem.