Por Anna Margoliner @marxoliner

Como está a discussão dentro do Partido sobre a chamada rota unitária?

Na última plenária do Comitê Central, o Partido Comunista Colombiano (PCC) reafirmou seu compromisso com a construção do Pacto Histórico como uma organização unitária, priorizando uma visão política e social que transcenda o eleitoral. A personalidade jurídica, embora útil, não é essencial para sua existência nem para avançar nesse objetivo.

A proposta do PCC inclui uma plataforma programática democrática e estruturas organizativas que respeitem a diversidade política e ideológica, garantindo também a paridade de gênero nas listas de candidaturas.

Frente Ampla

E como vai o debate com outros setores do progressismo?

Diante da impossibilidade legal de manter a coalizão do Pacto Histórico como está, o PCC trabalha para que esse processo de unidade integre as forças políticas e sociais da esquerda e do progressismo, mas também reúna as experiências na luta social. A rota unitária que está sendo desenvolvida atualmente representa a construção de acordos e garantias para todos os participantes. Um passo em direção à qualificação política e organizacional.

O Partido continuará dialogando com as agrupações que integram os “Unitários” e outras dinâmicas fora do Pacto Histórico, defendendo a unidade e evitando a dispersão de forças. No âmbito eleitoral, o PCC definirá candidaturas em coordenação com forças aliadas, como a União Patriótica, priorizando manter e ampliar sua representação no Congresso. Em relação às eleições presidenciais, trabalhará por uma opção de esquerda que fortaleça o processo unitário e a Frente Ampla.

Um dos temas centrais é como enfrentar a disputa eleitoral de 2026. Qual é a orientação para as bases do Partido para tratar dessa discussão?

A unidade não se esgota na tática eleitoral. Em relação à presidência, existe a disposição geral de trabalhar por uma Frente Ampla, que deverá realizar uma consulta ampla e nacional entre todas as candidaturas que apoiem a continuidade do processo. Quem for o vencedor ou vencedora terá o apoio de todos os setores.

Dentro de cerca de dez meses, abrirão as inscrições para as Câmaras e o Senado, e poucos meses depois para as presidenciais. Portanto, o PCC avançará na definição de suas candidaturas, que deverão ser assumidas com as regras do Pacto Histórico. Para isso, o Comitê Executivo Central, em coordenação com as direções departamentais, definirá de maneira objetiva as melhores opções táticas em todas as circunscrições, incluindo a do exterior. Isso será discutido na próxima reunião do Comitê Central. A luta eleitoral exige melhorar a organização interna e a política de alianças para alcançar vitórias com base nos princípios, objetivos e metas estabelecidos.

Liderança feminina

Glória Flórez como presidente da Colômbia Humana, Aída Avella à frente da UP e Claudia Flórez como secretária-geral do Partido Comunista são lideranças femininas que chegam à direção dos principais partidos de esquerda do país. Qual é sua análise sobre essa realidade política?

É evidente o avanço das lideranças femininas nos principais partidos de esquerda, o que demonstra que há uma transformação na forma como concebemos a política e a luta pela justiça social. O compromisso de potencializar a participação das mulheres se tornou uma prioridade nas nossas agendas. No entanto, esse tem sido um processo diferente dentro dos partidos. Não é fácil, pois não se trata de uma questão de representação simbólica, de fazer o “politicamente correto”. Tem sido uma luta diária para avançar em uma mudança estrutural na política, alcançando uma participação real e efetiva das mulheres na tomada de decisões. Isso significa que somos capazes de liderar.

Como essa liderança feminina tem se refletido na discussão unitária?

É um momento diferente na unidade. As mulheres estão na linha de frente da batalha, nossa convicção sobre o feminismo está ligada à luta pela transformação social, pela justiça e pela paz duradoura na Colômbia. Vamos continuar impulsionando as mulheres nas direções, nos cargos do Governo da mudança, na direção das instituições, garantindo nossas vozes, demandas e lutas. A discussão unitária envolve esforços para incorporar a perspectiva de gênero não apenas nos discursos, mas também na prática da unidade popular.

As lutas das mulheres, dos povos indígenas, das comunidades negras, da população diversa e de outros setores historicamente marginalizados serão parte fundamental na construção dessa nova sociedade, que já estamos iniciando com esse processo de mudança política.

Presidência

Duas candidatas presidenciais do Estabelecimento são mulheres: Claudia López e Vicky Dávila, que expressaram a intenção de chegar à Casa de Nariño. De uma perspectiva feminista, qual análise podemos fazer sobre essa realidade política?

Pensar que essas duas senhoras e, como alguns sugeriram com a candidatura de Kamala Harris nos Estados Unidos, representam a defesa do feminismo, é equivocado. Elas não representam um feminismo real nem revolucionário. É a armadilha de mostrar uma representação simbólica do poder e de um suposto progresso para nós mulheres. São pessoas acomodadas que defendem os interesses da classe dominante.

Claudia López mostrou, como prefeita de Bogotá, uma gestão em defesa do neoliberalismo, produzindo maior desigualdade social. Seu feminismo é liberal, utilizando oportunisticamente sua condição de gênero para acessar o poder, sem fazer mudanças profundas no sistema.

Por sua vez, a senhora Vicky Dávila é uma figura midiática que representa claramente as políticas conservadoras. Seu pensamento reforça o status quo patriarcal e seu discurso corresponde aos interesses do poder econômico das grandes corporações.

A esquerda terá alguma candidatura representada por uma mulher?

É possível que a esquerda e o progressismo tenham uma candidata se a Frente Ampla se consolidar e ganharmos mais apoio popular. A senadora María José Pizarro, a ministra do Trabalho Gloria Inés Ramírez ou a ministra do Meio Ambiente Susana Muhamad são opções destacadas que estão sendo cogitadas. Tudo dependerá da unidade das forças progressistas e dos fatores políticos chave no momento da definição.

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