Rio de Janeiro – No próximo dia 17 de janeiro de 2016, o Rio de Janeiro entrega à população a primeira etapa daquela que promete ser a ligação cicloviária completa de toda a sua orla. Mas a ciclovia da Avenida Niemeyer não é apenas mais um trecho de asfalto; é uma obra que extrapola a funcionalidade para se tornar um mirante contínuo sobre o Atlântico.
A construção, que contorna o imponente costão rochoso fluminense, surge como uma resposta tardia, porém necessária, aos “novos tempos” da mobilidade. Se desde os anos 90 o carioca já incorporou a bicicleta ao seu cotidiano, a pista da Niemeyer eleva essa experiência a um patamar mundial de beleza natural e ousadia arquitetônica.
Entre a Paixão e a Polêmica
Raramente uma obra de infraestrutura gerou tanta empatia — e antipatia — simultaneamente. A ciclovia nasceu sob o signo da polêmica, despertando opiniões apaixonadas:
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Os entusiastas: Veem na pista o ícone de uma nova matriz urbana, onde o ser humano finalmente ganha prioridade sobre os veículos motorizados.
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Os críticos: Questionam os custos, o impacto ambiental no costão e a gestão da obra.
O fato é que a ciclovia da Niemeyer tornou-se um palco de debate democrático sobre o modelo de cidade que desejamos. Para uns, um motivo para visitar o Rio apenas para pedalar; para outros, um símbolo de gestões que dividem a opinião pública.
Do Caos à Liberdade
Para quem conhece a história da Avenida Niemeyer, a mudança é drástica. Antes, o trecho era famoso pelo vídeo viral “Como ultrapassar mais de 100 carros em 5 minutos”, que mostrava ciclistas arriscando a vida entre ônibus e encostas para vencer o congestionamento crônico.
Hoje, esse “desafio apocalíptico” dá lugar a um acesso seguro, confortável e, acima de tudo, inspirador. Ao pedalar pela nova pista, o cidadão não leva apenas a vista deslumbrante na retina, mas a certeza de que a ocupação do espaço público está em constante (e necessária) disputa.