Na quinta-feira (21), a Rússia lançou um míssil balístico intercontinental contra a Ucrânia, marcando a primeira vez que esse tipo de armamento, capaz de transportar ogivas nucleares, é utilizado no conflito iniciado em fevereiro de 2022. De acordo com a Força Aérea ucraniana, o míssil foi disparado da região de Astrakhan, no sul da Rússia, com o alvo localizado em Dnipro, no centro-leste da Ucrânia, a cerca de 1.000 quilômetros de distância.

O ataque visou empresas e infraestruturas na cidade, resultando em danos a uma instalação industrial e incêndios, conforme relatou o governador regional, Serhiy Lysak. Duas pessoas ficaram feridas durante o incidente.

Os mísseis balísticos intercontinentais são projetados para longas distâncias, superiores a 5.600 quilômetros, e apenas Estados Unidos, Rússia e China possuem esse tipo de armamento. Embora a Força Aérea da Ucrânia tenha confirmado que o míssil não transportava uma ogiva nuclear, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky criticou Vladimir Putin, chamando-o de “maluco” e acusando-o de desdenhar da vida humana.

“Nosso insano vizinho mais uma vez revelou sua verdadeira natureza: seu desdém pela dignidade e pela vida humana. O novo míssil russo sugere capacidades balísticas intercontinentais. As investigações estão em andamento”, declarou Zelensky.

O lançamento do míssil ocorreu após a Ucrânia ter utilizado mísseis dos Estados Unidos e do Reino Unido para atacar alvos na Rússia, um ato que Moscou havia advertido que seria uma escalada significativa no conflito. Os mísseis ATACMS e Storm Shadow, utilizados pelos ucranianos, têm um alcance máximo de 300 quilômetros.

Além do míssil intercontinental, a Rússia também disparou um míssil hipersônico Kinzhal e sete mísseis de cruzeiro Kh-101, dos quais seis foram interceptados pelas defesas aéreas ucranianas.

Mensagem ao Ocidente

O Kremlin afirmou que o ataque à Ucrânia serviu como uma mensagem ao Ocidente, indicando que Moscou responderá a ações consideradas “imprudentes” em apoio à Ucrânia. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, explicou que o presidente Putin havia ordenado o disparo do novo míssil, conhecido como Oreshnik ou Hazel Tree, contra uma instalação militar ucraniana.

“A principal mensagem é que as decisões imprudentes dos países ocidentais, que fornecem mísseis à Ucrânia e participam de ataques ao território russo, não ficarão sem resposta”, afirmou Peskov.

Ele também mencionou que a Rússia não era obrigada a notificar os Estados Unidos sobre o ataque, mas que havia feito isso 30 minutos antes do lançamento. Peskov acrescentou que Putin continua aberto ao diálogo, apesar de considerar que o governo Biden “prefere continuar no caminho da escalada”.