O general da reserva Mário Fernandes, preso por planejar os assassinatos de Luiz Inácio Lula da Silva, Geraldo Alckmin e Alexandre de Moraes, revelou que teve um encontro com o ex-presidente Jair Bolsonaro durante seu governo. Em um áudio divulgado, Fernandes comemorou que Bolsonaro aceitou o “nosso assessoramento” após o ex-presidente voltar a se manifestar publicamente sobre a eleição de 2022.

As informações fazem parte da representação apresentada pela Polícia Federal (PF) ao Supremo Tribunal Federal (STF) para solicitar a prisão de Fernandes e outros quatro suspeitos de envolvimento no planejamento dos atentados. A PF não menciona qualquer ação de Bolsonaro, que não é alvo da operação.

A visita de Fernandes ao Palácio do Alvorada, residência oficial da Presidência, ocorreu em 8 de dezembro de 2022, conforme registros oficiais da PF. Naquele dia, Bolsonaro estava no Alvorada e, segundo ele, recebeu o senador Marcos do Val e o ex-deputado Daniel Silveira.

No dia seguinte, 9 de dezembro, Bolsonaro quebrou o silêncio após a derrota nas eleições e se dirigiu a apoiadores em frente ao Alvorada, afirmando que as Forças Armadas eram “o último obstáculo para o socialismo”, enquanto expressava lealdade ao povo e respeito à Constituição.

Em um áudio enviado a Mauro Cid, ajudante de ordens de Bolsonaro, Mário Fernandes comentou sobre o discurso do ex-presidente: “Que bacana que ele aceitou o nosso assessoramento. P****, deu a cara para o público dele”.

Fernandes também relatou que, na conversa, Bolsonaro mencionou que qualquer ação poderia ocorrer até 31 de dezembro de 2022, mesmo após a diplomação de Lula, prevista para 12 de dezembro. “Na hora eu disse, pô, presidente, mas o quanto antes, a gente já perdeu tantas oportunidades”, afirmou Fernandes.

Durante o governo Bolsonaro, Fernandes atuou como chefe substituto da secretaria-geral da Presidência, posição que lhe proporcionou estreita proximidade com o ex-presidente. As investigações indicam que ele tinha relações com integrantes de movimentos golpistas, como os caminhoneiros acampados em frente ao quartel-general do Exército em Brasília.

A PF destacou que as mensagens trocadas evidenciam que Mário Fernandes era um ponto focal do governo Bolsonaro em relação aos manifestantes golpistas. Após o encontro com o ex-presidente, Fernandes solicitou a Cid que pedisse a Bolsonaro para intervir e evitar a apreensão de caminhões em frente ao QG do Exército, conforme ordem da Justiça. Cid se comprometeu a discutir a questão com Bolsonaro.