A Polícia Federal (PF) investiga o ex-presidente Jair Bolsonaro por suposto envolvimento em um plano de golpe de Estado em 2022, que visava desestabilizar a presidência de Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo informações do portal de notícias Terra, Bolsonaro teria redigido e ajustado uma minuta de decreto relacionada a esse plano.
As evidências, obtidas a partir da análise do celular de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, indicam que o ex-presidente não apenas tinha conhecimento do documento, mas também participava ativamente de sua elaboração. Em uma troca de mensagens com o general Marco Antônio Freire Gomes, Cid afirmou que Bolsonaro “enxugou” a minuta e estava sob pressão de deputados e do agronegócio para “tomar uma medida mais pesada” com o uso das forças armadas.
Em uma mensagem, Cid atualizou o general sobre a situação, dizendo: “O presidente tem recebido várias pressões para tomar uma medida mais pesada, onde ele vai, obviamente, utilizar as forças.” Ele também mencionou a necessidade de conversar com outros generais e refletiu sobre a pressão intensa que Bolsonaro enfrentava.
Além disso, a PF revelou que em uma reunião realizada em 9 de dezembro de 2022, Bolsonaro discutiu com o General Estevam Theophilo, comandante do Comando de Operações Terrestres (COTER), o apoio militar necessário para executar o golpe. O documento da PF destaca que, mesmo sem o apoio do general Freire Gomes, Bolsonaro buscava respaldo militar para o decreto que estava sendo ajustado.
Mensagens entre Mauro Cid e outros assessores também indicaram um monitoramento ilegal do então ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que teria como objetivo detê-lo e até eliminá-lo. O relatório da PF aponta que o plano se expandia, envolvendo a eliminação da chapa presidencial eleita, composta por Lula e Geraldo Alckmin.
Essas revelações adicionam um novo nível de gravidade às investigações sobre o governo Bolsonaro, evidenciando um possível planejamento para a desestabilização do processo democrático no Brasil.