O poeta Pedro Tancini apresenta “Poemas de Plástico”, uma obra inovadora que se destaca por ser a primeira na literatura mundial feita inteiramente de plástico reciclado e reciclável. O livro, que explora temas como amor e futuro em meio à violência do capitalismo, utiliza páginas impressas em papel sintético, elaborado a partir de tampinhas de garrafa PET coletadas por catadores. As capas são personalizadas pelo autor com colagens de plástico retirado de praias paulistas.

A obra aborda a contradição do plástico na sociedade contemporânea, um material que, embora descartável, leva mais de quatrocentos anos para se decompor. Essa dualidade permeia os poemas, que não só denunciam a cultura do descarte, mas também aspiram a um futuro mais esperançoso. Questões pertinentes são levantadas, como a luta contra catástrofes ambientais e o impacto do desperdício na vida emocional e psíquica.

“Fiz questão de que o livro fosse produzido com plástico reciclado e reciclável para que seu impacto ambiental se aproximasse do zero. No entanto, a proposta da obra é alertar que a solução não reside no âmbito individual, pois o verdadeiro responsável pelas catástrofes ambientais e sociais é o sistema em si”, afirma Tancini. Ele vê a poesia como um meio de resistência e reflexão em um mundo que frequentemente ignora as vozes dos oprimidos.

Excertos como “é nossa a culpa? os castelos que erguemos para os inúteis reis desta terra” revelam a profundidade da crítica social presente na obra. Os versos desafiam as estruturas tradicionais da poesia, fazendo do livro uma tentativa de persistir em uma realidade que parece desprovida de sentido.

“Poemas de Plástico” conta com o apoio do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura, Economia e Indústrias Criativas, reafirmando a importância do projeto no contexto cultural e ambiental.

Sobre o Autor

Pedro Tancini é um poeta e artista comprometido com questões ambientais e sociais, utilizando a literatura como um meio de provocar reflexões e estimular mudanças.