Por María Arango Valdés – Opinião

Na COP16 vão comparecer 197 delegações entre presidentes, ministros, altos funcionários, cientistas e expertos, com o fim de aprovar as políticas globais de defesa da biodiversidade e a vida do planeta, e cumprir com os acordos para a preservação de 30% dos solos e os oceanos do planeta, planos que permitam deter a ameaça à nossa espécie e garantir a sustentabilidade do mundo.

A COP16 está focada na proteção dos ecossistemas do planeta e as espécies para 2050. É o momento de reconhecer o que há por trás da enunciação do presidente Petro: Colômbia o país da beleza! Falar de Cali é falar da biodiversidade, com mais de 2000 nascimentos d’água, 283 cachoeiras, 7 rios e 3.500 árvores na sua região urbana.

Mas aos governadores Vallunos não lhes interessa resolver o problema da crise da água que é sofrida no Vale do Cauca, por exemplo, em Cali a empresa Coca-cola está acumulando a água, faz uso de 290.000 m3 de água por ano na sua fábrica no sul da cidade, por esses 290.000m3 pagam por ano somente 50 milhões de pesos colombianos, e produzem aproximadamente 164 milhões de litros de Coca-cola, as quais representam ventas por 500 mil milhões de pesos colombianos aproximadamente. Cali recebe 50 milhões e a Coca-cola fica com os 495 mil milhões que restam.

Também não lhes interessa a proteção das fontes hídricas e evitar sua contaminação, para eles só é importante “A segurança”, o bom funcionamento dos hoteis, dos restaurantes, da mobilidade e a logística em Cali durante esses dias. Eles só se importam com o negócio!

Entanto aos Vallecaucanos e aos caleños nos interessa fazer da COP16 o nosso momento de reunião, para fazer uma participação apresentando nossas propostas para resolver a crise d’água, uma carência facilmente visível. Os rios se secam no Vale do Cauca, e o monocultivo extensivo de cana e as usinas açucareiras se alimentam da água do subsolo que é insubstituível.

A gente se interessa por melhorar as relações de desigualdade entre os humanos e os ecossistemas tropicais, levando em conta que não há uma proteção real seja legal ou material destes. Pensar na água como um bem comum que ordene nossa vida familiar, comunitária e coletiva, é pensar na crise global social e econômica, para integrar os saberes ancestrais, das mulheres, do povo em geral e da ciência para defender os ecossistemas tropicais, defender e proteger as lideranças sociais-ambientais que estão sendo assassinados.

As organizações e processos sociais temos uma voz unida pela defesa da água e nos exige da COP16 os recursos econômicos para a proteção da biodiversidade e da vida no nosso território.

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*María Arango Valdés é socióloga y militante comunista

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