A senadora indígena Lidia Thorpe fez um protesto contundente durante a visita do Rei Charles III ao Parlamento australiano, gritando do fundo da sala: “Você não é meu rei! Devolvam nossas terras, devolvam o que vocês roubaram!” A manifestação ocorreu momentos antes do início do pronunciamento do monarca, levando agentes de segurança a escoltá-la para longe.

A Indignação dos Povos Indígenas

Apesar de uma cerimônia de boas-vindas aborígene realizada do lado de fora do Parlamento, a presença do casal real não é bem-vinda para muitos indígenas australianos, que ainda enfrentam as consequências da colonização. A chegada dos colonizadores britânicos resultou em massacres de povos indígenas em diversos locais do país, e os descendentes dessas comunidades continuam a lidar com racismo e discriminação sistêmica.

Luta por Reconhecimento e Justiça

Lidia Thorpe, pertencente aos povos DjabWurrung, Gunnai e Gunditjmara, é uma voz ativa na luta pelos direitos indígenas e uma crítica ferrenha da monarquia britânica. Em sua cerimônia de posse em 2022, ela se referiu à Rainha Elizabeth II como “a colonizadora Sua Majestade”, um gesto que simboliza sua resistência e a busca por justiça histórica.

Durante a visita real, manifestantes portavam bandeiras aborígenes em apoio à causa indígena. Um homem de 62 anos foi preso por desobedecer a uma ordem policial, destacando a tensão entre as autoridades e os manifestantes. Thorpe, em um ato de desobediência simbólica, virou as costas durante a execução do hino nacional “God Save the King”, reforçando sua mensagem de protesto contra a monarquia.

A Reação do Público

O protesto de Thorpe e as manifestações ao redor da visita real refletem um crescente descontentamento entre os povos indígenas da Austrália em relação ao tratamento histórico e atual que recebem. A luta por um tratado que reconheça oficialmente os direitos indígenas continua a ser uma prioridade, com líderes como Thorpe exigindo mudanças significativas e reparações para as comunidades afetadas.

A visita do Rei Charles III, marcada por controvérsias, evidencia as divisões ainda presentes na sociedade australiana e a necessidade urgente de diálogo e reconciliação entre o governo e os povos indígenas.