MSF Solicita Proteção para Civis e Profissionais de Saúde Durante Bombardeios no Líbano
Com o aumento dos ataques israelenses no Líbano, as unidades de saúde nas áreas mais afetadas estão sendo obrigadas a fechar, resultando em consequências devastadoras para os civis e o acesso à assistência médica. Médicos Sem Fronteiras (MSF) está intensificando suas atividades, mas a insegurança impede a operação em regiões próximas à fronteira.
As equipes de MSF estão trabalhando para garantir a continuidade do atendimento nas instalações existentes, mesmo com a intensificação dos bombardeios. “Estamos adaptando nossas atividades para fornecer os cuidados de saúde necessários, mas a violência e a falta de segurança limitam nossa capacidade de ação”, afirma François Zamparini, coordenador de emergência de MSF no Líbano.
Recentemente, MSF foi obrigada a fechar sua clínica no campo palestino de Burj el Barajneh, nos subúrbios de Beirute, e suspender temporariamente as atividades em Baalbek-Hermel. A organização reabriu parcialmente a clínica em Hermel para fornecer medicamentos essenciais aos pacientes, mas muitos permanecem sem acesso aos serviços médicos necessários, especialmente aqueles com doenças crônicas.
A insegurança também impede que as equipes médicas operem efetivamente no sul do Líbano. Um hospital em Nabatiyeh, que recebeu doações de MSF, foi atingido por bombardeios em 5 de outubro. As atividades de uma equipe médica móvel que atendia áreas próximas à fronteira foram interrompidas, limitando operações a Saida, a cerca de 50 quilômetros da linha de frente.
Nas últimas duas semanas, pelo menos 50 paramédicos perderam a vida devido aos ataques, elevando o número total de profissionais de saúde mortos desde outubro do ano passado para mais de 100, conforme informações do Ministério da Saúde Pública do Líbano. A intensidade dos bombardeios resultou no fechamento de seis hospitais e 40 centros de saúde, de acordo com o Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).
A crise humanitária no Líbano se agrava em meio a um sistema de saúde já sobrecarregado pela crise econômica do país. Mais de 1 milhão de pessoas estão deslocadas, superando a capacidade do país em fornecer abrigo adequado. As condições dos abrigos são precárias, e MSF enviou 12 equipes médicas móveis para responder às crescentes necessidades médicas, oferecendo primeiros socorros psicológicos, consultas médicas e distribuição de itens essenciais.
“É fundamental garantir a continuidade do cuidado para aqueles em necessidade. Pedimos a todas as partes que respeitem o direito humanitário internacional. Civis e infraestrutura civil não devem ser alvos, e sua segurança deve ser garantida”, enfatiza Zamparini.
MSF está distribuindo suprimentos médicos, doando combustível e kits de trauma para hospitais e treinando profissionais de saúde para atender a traumas e gerenciamento de vítimas em massa. A situação no Líbano continua crítica, e as necessidades da população superam em muito a capacidade de resposta das organizações humanitárias.