Boa Vista–RR – Um grito de socorro ecoa da maior terra indígena do Brasil. O líder Davi Kopenawa, uma das vozes mais respeitadas da etnia Yanomami, denunciou o estado crítico de saúde das comunidades Yanomami e Ye’kwana devido ao uso indiscriminado de mercúrio pelo garimpo ilegal.
Um estudo científico realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA) confirmou o que as lideranças já temiam: em algumas aldeias, como Aracaçá, o nível de contaminação chega a 92,3% dos habitantes.
O Ciclo da Morte nos Rios
O mercúrio, utilizado pelos garimpeiros para separar o ouro de outros sedimentos, é despejado diretamente nos rios. O metal é absorvido pelos peixes — base da dieta indígena — e chega ao organismo humano, onde não é eliminado.
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Vulnerabilidade: Mulheres em idade fértil e crianças são as mais afetadas.
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Sintomas: Os indígenas relatam dores de cabeça, disenteria, perda de coordenação motora e casos recentes de câncer.
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Dieta Contaminada: Das 35 amostras de peixes coletadas pela Fiocruz, o nível de metal pesado ultrapassava os limites de segurança para consumo humano.

O Cerco dos Garimpeiros
Kopenawa estima que cerca de 5 mil garimpeiros atuem ilegalmente dentro da TI Yanomami, utilizando mais de 60 balsas e máquinas pesadas que destroem os barrancos e poluem a água.
“Eu estou há 45 anos nessa luta. A Polícia Federal tira, mas não prende. Depois de um tempo, eles voltam de novo”, desabafou Kopenawa.
Respostas das Autoridades
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Funai: Alegou falta de estrutura e recursos para fiscalização contínua. Afirmou que as ações pontuais falham porque não há punição efetiva para quem financia a cadeia do ouro ilegal.
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Ministério Público Federal (MPF): Recebeu o relatório da Fiocruz e informou que está traçando estratégias para atuar no caso. O documento também foi entregue à relatora especial da ONU, Victoria Tauli-Corpuz.
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Exército: Destacou as Operações Ágata e Curare, informando que em 2015 neutralizou três pistas de pouso clandestinas e quatro balsas na região de fronteira.
Um Apelo Pela Vida
No último mês, uma comitiva indígena foi a Brasília exigir a retirada imediata dos invasores e um atendimento de saúde especializado para os contaminados. Para Kopenawa, o tempo está acabando: “Essa contaminação está nos deixando doentes e matando nosso povo.”
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