Boa Vista–RR – Um grito de socorro ecoa da maior terra indígena do Brasil. O líder Davi Kopenawa, uma das vozes mais respeitadas da etnia Yanomami, denunciou o estado crítico de saúde das comunidades Yanomami e Ye’kwana devido ao uso indiscriminado de mercúrio pelo garimpo ilegal.

Um estudo científico realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA) confirmou o que as lideranças já temiam: em algumas aldeias, como Aracaçá, o nível de contaminação chega a 92,3% dos habitantes.

O Ciclo da Morte nos Rios

O mercúrio, utilizado pelos garimpeiros para separar o ouro de outros sedimentos, é despejado diretamente nos rios. O metal é absorvido pelos peixes — base da dieta indígena — e chega ao organismo humano, onde não é eliminado.

 

Foto: Fred Rahal/ISA

O Cerco dos Garimpeiros

Kopenawa estima que cerca de 5 mil garimpeiros atuem ilegalmente dentro da TI Yanomami, utilizando mais de 60 balsas e máquinas pesadas que destroem os barrancos e poluem a água.

“Eu estou há 45 anos nessa luta. A Polícia Federal tira, mas não prende. Depois de um tempo, eles voltam de novo”, desabafou Kopenawa.

Respostas das Autoridades

Um Apelo Pela Vida

No último mês, uma comitiva indígena foi a Brasília exigir a retirada imediata dos invasores e um atendimento de saúde especializado para os contaminados. Para Kopenawa, o tempo está acabando: “Essa contaminação está nos deixando doentes e matando nosso povo.”

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