* Por Isel Talavera
Na última terça-feira, 26 de junho, ativistas de direitos humanos do Paraguai e Brasil se reuniram em Asunción para um ato em defesa da Memória Histórica. Convocado pela “Plataforma Social de DDHH, Memoria Democracia”, o evento contou com a apresentação da pesquisa intitulada “Itaipu Binacional: Atropello y Despojo”.
Intervenção Política pela Defesa da Praça dos Desaparecidos
A intervenção política, realizada na Praça dos Desaparecidos no centro de Asunción, teve como objetivo defender a preservação desse espaço de memória contra propostas de instalação de um monólito em homenagem ao povo judeu vítima do Holocausto, promovidas pela comunidade judaica local. O campo progressista paraguaio vê a praça como um importante local de memória e luta democrática, homenageando especificamente os desaparecidos do terrorismo de Estado entre 1954 e 1989.

Denúncia do Massacre Palestino e Defesa da Memória Democrática
Durante o ato, os ativistas alertaram sobre o massacre enfrentado pelo povo palestino e enfatizaram a importância de manter a Praça dos Desaparecidos como símbolo da memória histórica e da democracia paraguaia. Foi iniciado um abaixo-assinado, disponível também em versão digital, para apoiar essa causa.
Pesquisa sobre Atropelos e Arbitrariedades nas Ditaduras Latino-Americanas
O evento incluiu um conservatório com as pesquisadoras brasileiras Jussaramar da Silva e Carla Luciana Silva, que apresentaram seus achados sobre violações e arbitrariedades cometidas durante as ditaduras latino-americanas no contexto da construção da Itaipu Binacional. As docentes destacaram a existência de um esquema de vigilância e patrulhamento ideológico sob a segurança da binacional.
Entrega de Dossiê ao Ministério Público
O dossiê, que está sob sigilo, foi entregue pelas pesquisadoras ao Ministério Público, expondo preocupações sobre a recuperação da memória histórica, a história dos trabalhadores da construção e os crimes dos regimes ditatoriais relacionados à Itaipu Binacional. A entrega do dossiê busca fomentar a apuração desses crimes e fortalecer a luta pela memória e justiça.
Este ato representa um passo significativo na defesa dos direitos humanos e na preservação da memória histórica das vítimas das ditaduras na América Latina.
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*Isel Talavera é Poetisa e Tradutora Pública Juramentada em Foz do Iguaçu
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