*Amilton Farias – Opinião
Foz do Iguaçu – Existe uma ferramenta subjetiva que, quando compreendida fora dos moldes tradicionais, torna-se o motor da vitória para o jovem: a fé consciente. Diferente da “fé religiosa” — baseada em ritos automáticos e na obediência cega a lideranças —, a fé ativa é uma postura diante da vida. É a convicção de que não somos meros espectadores do destino, mas agentes capazes de alterar a realidade, superando vícios, conflitos e opressões sistêmicas.
Muitas vezes, a herança que se busca deixar para as próximas gerações é material. No entanto, o dinheiro não oferece sustentação nos momentos de angústia. O que realmente defende o jovem em um mundo cada vez mais complexo é o desenvolvimento de uma estrutura interna sólida — uma clareza de propósito que permite ter paciência para esperar e coragem para agir.
Fé ativa vs. fé religiosa
A verdadeira fé e o imobilismo são opostos. Crer não é apenas frequentar uma instituição ou repetir orações; é um estado de consciência ativa. Muitas vezes, o jovem vive uma “fé sentimental”, dependendo de “sentir algo” ou de esperar que uma divindade faça o trabalho por ele. A emancipação da fé ocorre quando o indivíduo entende que ela é uma decisão racional: a firme convicção de que é possível construir o que ainda não se vê.
Como já dizia a máxima, a “fé sem obras é morta”. Isso significa que a crença só ganha valor quando se traduz em atitude. Não precisamos de líderes que nos digam o que sentir; precisamos de uma consciência que nos mostre como lutar. A autoridade sobre a própria vida não deve ser entregue a terceiros, mas exercida através dessa força interior que nos permite enfrentar tanto problemas pessoais quanto as injustiças do país.
O despertar do militante orgânico
A fé consciente não se fecha em si mesma; ela transborda para a sociedade. Quando um jovem descobre sua força interna, ele se torna um militante orgânico, ativo na busca por justiça e igualdade. A fé viva gera uma revolta necessária contra o sofrimento injusto, seja ele provocado por líderes religiosos manipuladores ou políticos corruptos.
Inspirar-se na figura histórica de Jesus, por exemplo, é observar alguém que não se calou diante do abuso de poder dos religiosos de sua época. Ele não propôs uma religião estática, mas uma revolução de valores. Ter essa “fé de combate” é entender que temos a capacidade de transformar a estrutura social e libertar aqueles que sofrem — não apenas espiritualmente, mas socialmente e materialmente.
A potência do grão de mostarda
A fé é uma potência inerente ao ser humano. Não se trata de quantidade, mas de uso. Mesmo a menor convicção, quando aplicada com clareza e coragem, é capaz de “transportar montes” — ou seja, derrubar barreiras que parecem instransponíveis no sistema em que vivemos.
Ser um vencedor, camarada, não é conquistar bens materiais para si, mas conquistar a autonomia da própria mente e usar essa força para revolucionar o mundo ao seu redor.
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*Amilton Farias é jornalista e editor chefe do Portal Fronteira Livre