No dia 25 de outubro, celebramos o Dia da Democracia no Brasil, uma data que nos convida a refletir sobre o valor da liberdade e a necessidade de proteger os direitos humanos. Nos últimos anos, o contexto é particularmente preocupante, com declarações de figuras públicas que minimizam a gravidade da ditadura militar, exaltando torturadores e ameaçando opositores.

Para entender a importância desta data, devemos lembrar do trágico episódio que levou à sua criação: a morte do jornalista Vladimir Herzog em 1975. Na manhã do dia 25 de outubro, a ditadura militar anunciou o falso suicídio de Herzog, um ato cruel que buscava encobrir as brutalidades cometidas durante o regime. Essa manipulação da verdade, reminiscentes das fake news atuais, visava silenciar as vozes que denunciavam a repressão.

Vladimir Herzog, naturalizado brasileiro, foi um destacado jornalista e cineasta, conhecido por seu compromisso com a verdade e a liberdade de expressão. Nascido na Iugoslávia em 1937, ele fugiu com sua família da perseguição nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Formado em Filosofia pela USP, trabalhou em diversos veículos de comunicação e se destacou como diretor do telejornal Hora da Notícia na TV Cultura.

Em outubro de 1975, Herzog foi preso e assassinado por agentes da repressão no DOI-CODI, um evento que chocou a nação e se tornou um marco na luta pelos direitos humanos. Sua morte não apenas mobilizou a sociedade, mas também resultou em uma condenação do Estado brasileiro pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, reconhecendo o assassinato como um crime contra a humanidade.

A reação popular culminou em um grande Ato Ecumênico na Praça da Sé, liderado pelo cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, onde diferentes setores da sociedade se uniram em defesa da democracia, dando origem ao Dia da Democracia.

Anos depois, a promulgação da Constituição de 1988, conhecida como Constituição Cidadã, restaurou os direitos democráticos no Brasil, estabelecendo o voto direto e secreto, permitindo que o povo escolhesse seus representantes.

A tragédia que envolveu Vladimir Herzog impulsionou a criação de legislações e iniciativas que buscam preservar a memória das vítimas da ditadura. Entre essas iniciativas, destaca-se a Lei da Anistia e a Comissão da Verdade, que têm o objetivo de investigar e documentar os crimes cometidos durante o período militar, garantindo que a verdade e a memória sejam preservadas para as futuras gerações.

Neste Dia da Democracia, honramos a memória de Vladimir Herzog e reafirmamos nosso compromisso com a defesa dos direitos humanos e das liberdades fundamentais. Que sua luta nunca seja esquecida e que continuemos a trabalhar por um Brasil justo e democrático.

Vladimir Herzog Presente!

Vlado foi torturado, assassinado. Militares forjaram suicídio (Imagem: reprodução)