Foz do Iguaçu, PR – A 20ª edição da Feira Internacional do Livro de Foz do Iguaçu começou oficialmente nesta quarta-feira (13), levando artistas, contadores de histórias e escritores para atividades em diferentes bairros da cidade. A programação, que segue até domingo (16), envolve mais de quinze espaços, entre escolas públicas, instituições culturais, quilombo e aldeia indígena.

As ações descentralizadas ocorrem em escolas municipais, centros culturais, instituições de ensino e comunidades tradicionais, fortalecendo o acesso ao livro e à leitura.

Uma das convidadas do dia foi a escritora peruana Gloria Kirinus, autora de mais de 40 títulos, que visitou turmas do quinto ano da Escola Municipal Elenice Milhorança. Durante o encontro, ela apresentou parte de sua obra voltada ao público infantil e respondeu às perguntas dos estudantes.

“Ter uma escritora aqui na escola é maravilhoso. E, sendo uma pessoa alfabetizada em outro idioma, isso dialoga muito com a nossa realidade de fronteira”, destacou a professora Leidiane Tontini. Para Gloria, a língua nunca deve ser barreira para o incentivo à leitura. “A gente precisa usar o idioma a nosso favor. Foi isso que Ferreira Gullar me disse certa vez”, lembrou.

Impressões dos estudantes

O encontro terminou com um bate-papo afetivo entre a autora e os alunos. Entre eles estava Abril, estudante recém-transferida do Paraguai. “Ela é muito tímida, muito inteligente, mas tem dificuldade em se expressar”, contou a professora. A identificação entre a escritora e a aluna emocionou quem acompanhou a conversa. “Esses momentos são inesquecíveis”, comentou Gloria.

Para o estudante Vitor Danilo, de 9 anos, conhecer uma escritora de perto foi inspirador. “Ela é muito simpática e calma. E não é todo dia que a gente tem uma escritora aqui com a gente.”

No Centro de Convivência Francisco Bubas, o escritor Henrique Rodrigues também foi recebido por crianças de 6 a 12 anos atendidas no contraturno escolar. “A visita de um escritor quebra um paradigma que muitos criam entre quem escreve, o livro e quem lê. Isso aproxima e torna tudo mais acessível”, afirmou a coordenadora Jumilice de Andrade.

Henrique, que já participou de edições anteriores do evento, elogiou a iniciativa de levar as atividades para diferentes regiões da cidade. “O número de leitores tem diminuído no país. O que podemos fazer é trabalhar sempre o maravilhamento desses jovens leitores”, apontou.

Além da escola e do centro de convivência, instituições como a AFA (Associação Fraternidade e Aliança) e o CREAS também receberam atividades. As ações descentralizadas acontecem nos períodos da manhã e da tarde ao longo da semana. A Feira Internacional do Livro segue até 16 de novembro, na Praça Getúlio Vargas e na Fundação Cultural. A programação completa pode ser conferida nas redes sociais da Fundação Cultural (@culturalfoz).